O AMOR (E O PODER) ESTÁ NO AR – VERSÃO EUNÁPOLIS  

 


ANETO

 

Dizem que o tempo cura tudo. E, em alguns casos, até ressuscita amizades e parcerias  políticas que já pareciam enterradas no fundo do pântano da mágoa — ou do oportunismo.

 

Eis que um passarinho, desses que não cantam, só cochicham, confidenciou ao blog que houve uma  “química” entre dois velhos conhecidos da política baiana: o prefeito de Eunápolis,  Robério Oliveira,  e o ex-deputado federal e eterno frequentador do backstage do poder, Ronaldo Carletto.

 

Sim, caro leitor. Robério e Carletto, parceiros nos tempos áureos do poder, viraram inimigos figadais na ressaca das eleições passadas. Mas bastou um casamento — justo o do filho do ex-prefeito Abade — uma taça de vinho melhor que o de costume, e um ambiente propício para “revivals”, que os dois parecem ter redescoberto o prazer de um bom conchavo. Ninguém sabe se houve beijos, abraços, ou apenas promessas sussurradas no pé do ouvido. Mas o que se comenta é que estão “às boas” novamente.

 

QUEM DEU O PRIMEIRO PASSO?

 

A questão é: quem deu o primeiro passo? Robério, cansado da solidão no campo da articulação política, ou Carletto, que não consegue ver uma luz acesa no gabinete sem tentar entrar com os dois pés? O fato é que, quando esses dois voltam a conversar, não é por nostalgia dos bons tempos — é porque tem coisa no forno.

 

Ronaldo Carletto, hoje presidente do Avante na Bahia, é aquele tipo de político que não precisa de cargo para estar no centro do poder. E, como não pode mais colocar o nome na urna com a mesma facilidade de antes, resolveu usar seu ventríloquo amestrado, o sobrinho Neto Carletto, para continuar dizendo “amém” ao que for conveniente — com o mesmo zelo pela ética de um gambá atravessando a rua.

 

A GRANDE DECEPÇÃO 

 

Neto segue os passos do tio com uma dedicação quase religiosa: pouco se importa se o que está sendo feito é certo, errado, imoral ou apenas inútil. O importante é estar perto de quem manda — mesmo que seja para segurar o guarda-chuva. Chegou ao ponto recentemente até de votar a favor da PEC da bandidagem ou da blindagem, como queiram.

 

Enquanto isso, Eunápolis segue sendo o palco desses reencontros teatrais. O povo? Bem, o povo assiste tudo da arquibancada,  esperando que dessa vez — quem sabe — algum milagre positivo aconteça, depois do efeito do verdadeiro furacão  que Cordélia Torres conseguiu fazer com a cidade vizinha, tornando Eunápolis terra devassada,  quase falindo a prefeitura e o comércio em geral com a pior administração a que se tem notícia na região nos últimos anos.

A SÍNDROME DE PINÓQUIO QUE CARACTERIZA O ARTISTA JÂNIO NATAL E A PONTE QUE O PARIU

pinoquio og

Porto Seguro tem o privilégio de ser governada por um artista. Não um administrador, não um gestor — mas um artista da enganação. O prefeito Jânio Natal é uma espécie de maestro do blefe, que rege a cidade ao som de promessas falsas, anúncios espetaculosos e obras que começam com fanfarra e terminam em silêncio constrangedor.

 

A cada semana surge uma nova epopeia: são quadras de esportes que desapareceram no ar como truques de mágica, restaurantes populares que nasceram como bandeira eleitoral e morreram como calote milionário, a volta triunfal da Zona Azul mais cara que estacionamento de shopping de luxo, ou as tais das Reurb e que, em 5 anos,  nunca foram entregues à população. 

 

Tudo com a mesma assinatura: a velha “síndrome de Pinóquio”, marca registrada de um prefeito que fala muito, promete mais ainda e entrega quase nada.

 

O caso da ponte Porto Seguro–Arraial é um espetáculo à parte. Jurou que seria a obra do século. Parou exatamente no dia da eleição de 2024. Ficou abandonada por um ano, mas agora volta à cena com um custo milionário e um show de Durval Lelys, corrida de rua e camisetas.

 

É a ponte que o pariu — literalmente. Obra parada, dinheiro voando e o contribuinte pagando a conta, como sempre.

 

Enquanto isso, a prefeitura segue a lógica do caixa-preto: herdou R$ 30 milhões em dinheiro vivo e sem dívidas. Hoje, deve meio bilhão. Meio bilhão. Tudo com parcelas descontadas direto do Fundo de Participação dos Municípios, o que significa que o próximo prefeito já começa o jogo perdendo de goleada. A operação tem até nome clássico: “Rapa do Tacho”.

 

AFINAL, CADÊ O MP?

 

E o Ministério Público? Ora, o MP em Porto Seguro parece viver em outro planeta. Restaurantes populares usados em campanha? Não houve fraude, diz a promotoria. Festas milionárias sem licitação? Silêncio absoluto. É como se o órgão fiscalizador tivesse se transformado em fã-clube oficial da administração.

O DOMÍNIO DO CRIME ORGANIZADO 

 

O problema é que a cidade não é palco de circo. Nos bairros mais pobres, onde a presença do Estado é só uma piada de mau gosto, o crime organizado ocupa o espaço que o prefeito abandonou. Turistas e moradores que se cuidem: enquanto Jânio canta vitória em palanque, a panela de pressão social ferve prestes a explodir.

 

No fim, resta uma certeza: em Porto Seguro, cada promessa de Jânio é um investimento em frustração. Se o STF confirmar de fato a cassação do prefeito, o que sobrará é a herança de Pinóquio: cofres vazios, cidade endividada e uma ponte de faz de conta.

 O NOVO  ESTELIONATO ELEITORAL EM PORTO SEGURO 

 

acaixa

 

O poder sempre foi uma ilusão cara. Na Roma Antiga, pelo menos, o sujeito tinha que enfrentar leões. Hoje, em Porto Seguro, basta recomeçar  uma obra que na verdade nunca foi iniciada, inventar uma festinha com dinheiro público e achar que o povo vai aplaudir como se fosse o maior feito da história da humanidade. E geralmente dá certo. 

 

Pois é, o prefeito Jânio Natal, prestes a ser cassado, ao menos presume-se, resolveu acordar do retiro espiritual de um ano e retomar a famosa ponte Porto/Arraial — aquela mesma que virou piada depois de parar um dia depois das eleições. Agora, com um olho na Justiça e outro no caixa, o prefeito tenta vender a ideia de que está “trabalhando”. Na verdade, está é fazendo malabarismo para salvar a própria pele e empurrar goela abaixo seu vice, Paulinho Toa Toa, como herdeiro político.

 

O REBANHO EM FESTA

 

O que choca não é o estelionato eleitoral em si — isso já virou rotina no Brasil. O que realmente espanta é ver o rebanho literalmente em festa, correndo para tirar foto, postar coraçãozinho e escrever textão de agradecimento como se o prefeito estivesse pagando a obra do próprio bolso. Isso depois de gastar mais de R$ 1 milhão em show de axé e corrida, como se Porto Seguro não tivesse buracos e  problemas de sobra esperando solução.

 

Realmente é surreal. É mais uma vez Porto Seguro sendo Porto Seguro. Uma verdadeira cusparada na cara do contribuinte transformar promessa de campanha em espetáculo. Mas, para a plateia dos bajuladores, tudo bem: enquanto tiver nomeação fácil e contracheque sem precisar trabalhar, vale aplaudir qualquer coisa — até nota de 3 reais.

 

No fim das contas, não há mágica nenhuma: é o prefeito desesperado, endividando o município e raspando o tacho até o último centavo para manter vivo o seu projeto pessoal de poder. Quem acredita na súbita vocação de Jânio para “salvar a cidade” merece mesmo continuar sendo enganado. Porque, como sempre, só se engana quem quer.

QUEM ME VIU E QUEM ME VÊ...

aruba

 

Antes que a patrulha do ódio gratuito comece a gritar pelos cantos, vamos direto ao ponto: sim, essa foto minha com o ex-prefeito de Porto Seguro, Ubaldino Júnior, é real. Tomamos um café há 2 dias atrás, conversamos bastante, e eu não tenho nada a esconder de seu ninguém nesta cidade. Quem quiser achar que foi “acordo político” ou “virada de casaca”, problema de quem acha. O que as pessoas pensam ou deixam pensar sobre mim não faz a menor diferença. Vale o que eu sou, não o que dizem que sou. 

 

AS PESSOAS MUDAM

 

Isso porque, convenhamos: eu combati Ubaldino com unhas e dentes no tempo do antigo Topa Tudo. Denunciei, bati forte e não me arrependo de absolutamente nada. Entendo que era meu papel à frente do jornal à época e acredito que eu cumpri. Tenho certeza de que fiz o que nunca ninguém fez ou fará dentro de Porto Seguro contra um político. Sou  ainda do tempo que a imprensa tinha colhões e vergonha na cara, hoje, basta observar, é tudo no dinheiro. Só não vê quem não quer.

 

Só que o mundo não parou em 2003. A verdade é que eu mudei, ele mudou, os tempos mudaram. Quem nunca errou que atire a primeira pedra.

 

SE ELES PODEM

 

Santo, nem eu, nem ele. Muito menos o resto do cenário político brasileiro. Até porque, se for pra falar de escândalo, basta lembrar: Lula voltou, a Lava Jato foi jogada no lixo, Moro e Dallagnol foram triturados pela engrenagem, e a turma que deveria estar aposentada na Sibéria está de volta à festa, sob a chancela so STF. Nesse baile de máscaras, Ubaldino não é nem o pior convidado.

 

Há uma diferença básica: Ubaldino nunca foi arrogante. Levou as pancadas, pagou caro por elas, refez a vida, virou advogado, manteve a cabeça erguida e não se vingou de ninguém. Isso, acreditem, é artigo de luxo na política brasileira. Quem conhece o jogo sabe do que estou falando.

 

Carisma ele sempre teve, inteligência idem. E, pasmem, até reconstruiu pontes com antigos desafetos — coisa rara nesse ramo onde todo mundo só pensa em serrar a tábua do vizinho.

 

QUE SEJA BEM-VINDO

 

Então, vou ser bem claro: não sou eu, já quase dobrando o Cabo da Boa Esperança, que vou me dedicar a combater e a tentar manter Ubaldino eternamente fora do tabuleiro. Se vai ser candidato este ano, em 2028 ou em Marte, não sei. Se vou apoiá-lo ou votar nele, também não sei. Mas uma coisa é certa: bem-vindo de volta ao jogo ele será.

 

E aqui entra o lado pessoal: sei muito bem quem eu apoiei, e sei também quem me apunhalou pelas costas — gente que se dizia amiga, gente em quem eu confiava e que me traíram vergonhosamente. 

 

Do inimigo a gente espera a facada; do amigo – e da amiga -  espera no mínimo  amizade, carinho, respeito e consideração. Pois é. Nessa matemática ingrata da política, hoje prefiro mil vezes Ubaldino — que ao menos  foi adversário leal — a certos “amigos” que só sabem usar e descartar.

 

O PORQUÊ REALMENTE TODOS EM BREVE SABERÃO

 

Porto Seguro vai entender, cedo ou tarde, minhas reais razões, embora eu não deva explicações para ninguém que não seja a minha própria consciência. Mas na hora certa vou me levantar e esclarecer. A questão não é nem financeira, até porque se fosse financeira poderia ser facilmente  resolvida. Na verdade, é muito mais do que isso. Existem coisas que não tem dinheiro que resolva.  

 

E, no fim das contas, o que eu penso é simples: se Ubaldino, com todos os erros que cometeu, ainda merece uma chance, é porque já mostrou mais grandeza do que muita gente que se diz limpa, mas que vive suja até o pescoço.

 

No fim, Porto Seguro é quem vai julgar se ele merece voltar ao jogo. Eu, da minha parte, digo: bem-vindo de volta. Se vou apoiá-lo ou não, é outra história. Mas entre Ubaldino — com todos os erros dele — e certos “amigos” que me  apunhalaram  pelas costas, fico com ele mil vezes.

 

Quem não gostar, que reclame com o bispo. Ou com o papa.

TRIO PARADA DURA: A CORRIDA CONTRA O RELÓGIO DE JÂNIO NATAL - Quando o espírito público só desperta com cheiro de cassação no ar

 

 

acris 1

 

Porto Seguro com certeza  nunca viu nada igual. Depois de quase 5  anos de gestão em ritmo de tartaruga sonolenta, o prefeito Jânio Natal resolveu colocar o pé no acelerador. E não é pouco.

 

De uma hora pra outra, pontes paralisadas há mais de ano surgem do papel, ruas ganham maquiagem nova, anel viário aparece como prioridade, e o prefeito...

 

bom, o prefeito virou uma máquina de assinar ordem de serviço. Tudo isso justo agora, com o Supremo Tribunal Federal prestes a julgar (possivelmente, veja bem, possivelmente) a manutenção do seu mandato.

 

Coincidência? Só se você também acredita que político trabalha melhor sob pressão porque “ama o povo”.

 

A cena é tão surreal que parece saída de um roteiro de comédia política: Jânio colado dia e noite no seu vice, Paulinho Toa Toa — que mais parece boneco de ventríloquo do que gestor — e, de quebra, a primeira-dama, que após décadas de invisibilidade pública agora virou musa fitness, ciclista e presença obrigatória em qualquer evento, por mais irrelevante que seja. Parece piada pronta. Mas é só Porto Seguro sendo Porto Seguro.

 

 

O QUE DE FATO ESTARIA EM JOGO?

 

 

Não se trata apenas do cargo. Há muito mais por trás da súbita e inesperada  energia do prefeito. Quem conhece os bastidores sabe que a matemática do poder não se faz com menos ou divisão — a calculadora preferida por certas gestões só trabalha com soma e multiplicação. Principalmente quando o assunto é movimentação de verbas, remanejamentos relâmpago e aquelas mágicas contábeis que transformam despesa sem lastro em obra “justificada”.

 

Durante cinco anos, segundo dizem por aí (e apenas dizem, fique claro), Jânio operou com 100% de liberdade orçamentária, amparado por uma base legislativa que vota tudo — desde que venha acompanhado de afeto financeiro. E a fiscalização? Bem, essa virou artigo de colecionador. O TCM e o Ministério Público estiveram, aparentemente, em retiro espiritual.

 

Mas há um porém: se o prefeito cair antes de fechar o segundo mandato, o castelo contábil pode ruir. E aí o buraco não é apenas fiscal. É penal.

 

A conta bate na porta — e, com ela, a necessidade urgente de “gerar papel”, movimentar recursos e construir uma narrativa contábil que possa proteger não apenas o nome, mas quem sabe a liberdade.

 

 

O VICE COMO SEGURO DE VIDA

 

 

É nesse momento que o vice se torna figura central. Afinal, Jânio não é tão burro como foi Ubaldino e que, guloso e metido a esperto demais, foi brigar justamente  com o seu vice, que - dizem - queria apenas um simples  apartamento em Vitória. Deu no que deu. Não querer dividir o pão ou apenas uma beirada do dia a dia acaba assim.   

 

Isso tudo porque, quando a cassação ronda, a fidelidade do sucessor é mais valiosa que qualquer maioria na Câmara.

 

Se o vice resolver abrir a caixa-preta, mostrar contratos, questionar decisões, o que certamente Paulinho nunca fará, até mesmo  porque fez parte direta na adminsitração ... o enredo muda completamente.

 

Por isso, é melhor andar grudado, sorrindo para fotos e garantindo que tudo continuará como está — mesmo sem o maestro na batuta.

 

E enquanto tudo isso acontece, Porto Seguro sorri. Vai às festas. Lê os releases da prefeitura como se fossem notas de esperança. A cidade finge que não vê, e quem vê finge que não se importa. O espetáculo continua.

 

 

Afinal, como diria um velho ditado político: "quem sobrevive não é o honesto nem o corrupto — é o que sabe esconder melhor o rastro".