CÉU DE BRIGADEIRO E FILHOTE NO COCKPIT

 


AAAJUNUIOR

 

Sim, senhores. Eu critiquei, critico e talvez até  volte a criticar duramente o prefeito  Jânio Natal. Porque é exatamente isso que se espera de qualquer cidadão decente e que não tenha alugado o cérebro para a prefeitura ou que não aceite viver pendurado descaradamente na folha de pagamento sem bater um mísero prego num sabão sequer, como muitos o fazem, sem nenhum rubor na face. 

 

Mas uma coisa, convenhamos,  é bater na canela, outra, bem diferente,  é fechar os olhos para o jogo jogado com maestria. Jânio pode até ter começado na política tropeçando em buracos que ele mesmo cavou, mas hoje... bem, hoje ele literalmente  voa em céu de brigadeiro. E o radar já mostra quem está sentado no banco ao lado: seu filho, Jânio Júnior.

 

Não é preciso gostar do estilo, das piadinhas, dos "beijus"   ou das taxas que ele empurra goela abaixo do contribuinte. É preciso, apenas, ter olhos para ver e ouvidos para escutar o que se passa, de fato,  com o prefeito.

O homem entendeu e passou a dominar o jogo. Passou de um prefeito ausente, mal humorado e de improvisos para um estrategista que não só domina a máquina como poucos,  mas também as redes, os bastidores, as alianças e os tempos do tabuleiro.

 

E, como todo bom xadrezista, ele já está jogando com peças que não são dele: Jânio Júnior é a próxima torre em movimento, cuja eleição, ao que tudo indica, deverá registrar a maior votação para deputado estadual da cidade e região, talvez mesmo até da Bahia.

 

MUDOU POR QUE, POR QUE MUDOU?

 

Aqui entra um detalhe que ninguém pode ignorar: o prefeito mudou porque passou a escutar. E escutar, meus amigos, é algo que poucos políticos fazem. A maioria prefere ensinar até Deus a governar. Jânio não. Teve a humildade de parar, ouvir, repensar.

E foi aí que surgiram duas figuras fundamentais nessa reviravolta: a primeira-dama Cristiane e um misterioso marqueteiro que sabe das coisas, que  discute e  dita-lhe os passos a serem percorridos.

 

Cristiane chegou com leveza, firmeza e inteligência emocional. Humanizou a gestão, abriu as portas para as famílias, atraiu simpatia  e suavizou a imagem do marido. Foi uma verdadeira  jogada de mestre — daquelas que não estão nos livros, mas funcionam nas urnas.

 

Já o marqueteiro, ah, esse sim, deve ter feito um pacto com o diabo ou com um publicitário genial, porque transformou um  Jânio muitas vezes sisudo num verdadeiro showman das redes sociais. Imagem limpa, discurso afiado, sorriso na medida certa, falando extamente aquilo que o povo gosta de ouvir. E o povo comprou a transformação. Basta fazer uma rápida pesquisa, sobretudo após a recente inauguração da nova praça ACM e da Pero Vaz de Caminha, para ver que Jânio caiu de vez  nas graças da população.

 

SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER

 

Pode parecer dura a língua, mas mais duro é ignorar os fatos. Os adversários, cada vez mais fragilizados, perdidos  e isolados,  ainda têm dificuldade em descobrir se usam outdoor, drone ou pombo-correio. Enquanto isso, o atual prefeito passeia por inaugurações vistosas  com sorriso marqueteiro e a família a tiracolo, vendendo uma imagem que cola. Afinal,  é a imagem que vence, não o ressentimento.

 

Portanto, caro leitor e eleitor: talvez, assim como eu,  você não engula o sumiço do prefeito ou a paralisação das obras quando ele bem  quer ou  todas as suas intermináveis taxas.  Talvez, assim como a maioria, você odeie a Zona Azul, - o que não é o meu caso - ou  talvez até tenha perdido a paciência com os buracos e o lixo que ainda resistem em plena zona central de uma cidade turística como  a nossa.

 

Mas se você quer continuidade de um projeto que entendeu melhor do que ninguém  como funciona o poder, que sabe vencer eleições, que não abandona - dizem -  seus amigos e que mira mais longe do que a esquina do próximo mandato, então abra o olho.

 

Jânio Júnior já está no cockpit. E você, goste ou não, já está no avião.

 

A EVOLUCÃO POSSÍVEL E A COBRANÇA OBRIGATÓRIA AO PREFEITO JANIO NATAL

AAAPRACA

Há políticos que não mudam. Há políticos que mudam de discurso. E há, mais raros, os que mudam quando percebem que não mudar custa caro. Jânio Natal parece ter passado por todas essas fases — o que, convenhamos, já é alguma coisa bastante positiva num ambiente em que a mediocridade costuma ser tratada como virtude administrativa.

 

Conheço Jânio há tempo suficiente para não comprar versões romantizadas de sua biografia pública. Trinta anos não cabem em release institucional. Vi o político em formação, o estrategista de churrascos em Belmonte, o gestor ausente, o prefeito errático, o homem sem gabinete e com muitos álibis. Seu primeiro governo em Porto Seguro foi, para dizer o mínimo, um exercício prolongado de irrelevância administrativa. Quem quiser dourar esse passado terá de brigar com os fatos — e os fatos não costumam perder.

 

PRIMEIRO GOVERNO FOI UMA DECEPÇÃO TOTAL 

 

Entre 2004 e 2008, Porto Seguro teve um prefeito que parecia estar sempre em outro lugar. Quando aparecia, raramente, era para explicar por que não dava para fazer. Obras mínimas ou largadas pela metade, prazos máximos, responsabilidades terceirizadas. A cidade andava para trás enquanto a única construção realmente consistente crescia no Alto do Mundaí, sob o olhar distraído — ou convenientemente cego — das instituições que deveriam ver.

 

Esse é o passado. Ele existe, não será apagado e não merece indulgência retroativa.

 

Mas política, goste-se ou não, é o tempo presente. E no presente, Jânio Natal surpreende — o que é sempre melhor do que decepcionar, embora não seja garantia de virtude permanente. Depois de um longo período de inércia inexplicável, agravado pelo estranho hábito de paralisar a máquina pública logo após vencer eleições, o prefeito resolveu voltar a trabalhar. E quando resolveu, mostrou que sabe.

APOSTA CERTA

 

A retomada das obras não é detalhe. Ponte, anel viário, Praça ACM, requalificação da Pero Vaz de Caminha: isso não é maquiagem, é infraestrutura. Não é favor, é obrigação — mas obrigação cumprida também se reconhece. Porto Seguro precisa de obras assim porque arrecada como cidade grande e, por muito tempo, entregou como vila desatenta.

 

Não há aqui aplauso emocionado, nem conversão tardia. Há constatação. O atual gestor, neste momento, acerta. Entrega obras relevantes, melhora espaços públicos, investe em lazer e paisagismo urbano, algo que seus antecessores infelizmente  trataram como supérfluo.

 

E não é. Cidade também é espaço, convivência, dignidade visual — conceitos simples, mas revolucionários para quem sempre se contentou com o mínimo.

 

JUNINHO VEM AÍ

 

Claro que há cálculo político. Sempre há. Juninho no horizonte, 2026 no retrovisor, alianças nacionais e estaduais na fotografia. Nada disso escandaliza. Política é isso mesmo. O que não pode — e nunca poderá — é transformar projetos eleitorais em desculpa para novos períodos de abandono administrativo, como aconteceu de outubro de 2024 a outubro de 2025. A cidade não pode voltar a ser desligada após o fechamento das urnas.

 

Jânio parece ter entendido algo que antes ignorava: governar é rotina, não evento. Não se governa por espasmos de eficiência. Não se administra esperando o próximo palanque. Se essa lição foi aprendida de fato, ótimo. Porto Seguro agradece. Se for apenas mais um intervalo produtivo entre longos silêncios, a conta virá — como sempre vem.

 

SEMPRE ATENTOS

 

Este espaço, que nunca foi dócil com governantes, mesmo que com alguns de forma interna – tudo depende do respeito recebido -  também não será agora.

 

Reconhecer acertos não implica suspender a vigilância. Pelo contrário: aumenta a responsabilidade de quem governa. Quem mostrou que sabe fazer, não pode mais alegar que não conseguiu.

 

Jânio Natal evoluiu? Sim, ao que tudo indica. Evolução, porém, não é ponto de chegada. É processo. E processo exige continuidade, constância e respeito ao interesse público — mesmo quando não há eleição à vista.

 

Os aplausos de hoje não anulam as cobranças de amanhã. E isso, no fundo, é o melhor elogio que um gestor pode receber.

O CAVALO DE UBALDINO NÃO VOA. ELE ENTRA ANDANDO. BEM DE MANSINHO.

aaacavaco

 

Dono de uma inteligência e carisma diferenciados, e mestre na arte da persuasão e da oratória, o ex-prefeito Ubaldino Júnior anda dizendo por aí que é hora de “deixar o cavalo voar”. A frase é bonita, impactante, sonora, dessas que funcionam bem em palanque e rendem aplauso fácil. O problema é que, e ele sabe bem, na política de Porto Seguro, cavalo nenhum voa. Nunca voou. Cavalo no máximo entra. Devagar e bem devagari nho. 

 

E é aí justamente que mora o perigo.

 

Porque cavalo que voa é coisa de conto de fadas. Cavalo de Tróia é história. Esse não precisa de asa. Ele apenas estaciona na porta da cidade, posa de presente, de reconciliação, de amadurecimento político — e quando se percebe, já tem gente demais escondida lá dentro.

 

Ubaldino já faz investimentos em sites de aluguel e tenta voltar à cena política depois de mais de 20 anos fora do jogo. Até o  "Cocô Notícias", o site mais venal de Porto Seguro  e região - junto com aquela página de memes sem graça do Arraial -   e seu inimigo feroz,  se rendeu aos seus caprichos. E volta como? Com discurso de paz, afagos públicos e uma súbita paixão pelo atual prefeito Jânio Natal, de quem já foi inimigo mortal, depois aliado, depois inimigo de novo — e agora, curiosamente, quase um amigo de infância.

 

Em Porto Seguro, não se iluda, caro leitor e eleitor, a política não anda em linha reta. Ela dá cavalo-de-pau.

 

ALFINETANDO CLÁUDIA

 

O discurso recente na Câmara foi revelador. Ubaldino elogiou Jânio, achou “injusta” a possibilidade da sua  cassação e, de quebra, deu uma alfinetada na ex-prefeita Cláudia Oliveira, sua mais recente aliada em 2020. Não foi improviso. Foi cálculo. Ubaldino não dá ponto sem nó — e quando dá nó, costuma ser em corda grossa.

 

A conta é muito simples: Ubaldino precisa de Jânio. Jânio não precisa de Ubaldino. Para o prefeito, basta que o ex-prefeito não lhe bata no rádio, não crie ruído e não lhe atrapalhe. Já está ótimo e de bom tamanho. Para Ubaldino, é questão de sobrevivência política.

 

Sem grupo, sem mandato e longe do poder há décadas, ele sabe que ninguém ressuscita carreira política sozinho.

 

Ubaldino não é ingênuo. Nunca foi. Nem quando era inimigo feroz de Jânio Natal. Nem quando virou aliado. Nem quando voltou a ser adversário. Nem agora, quando reaparece como conciliador, compreensivo e quase solidário com o prefeito que ontem combatia com dentes e microfone. Em política, quem muda demais não evolui: se reposiciona.

 

CLÁUDIA É A ÚNICA ADVERSÁRIA A SER COMBATIDA

 

No discurso recente na Câmara, Ubaldino não falou por acaso. Cada elogio foi milimetricamente calculado. Cada silêncio, cada pausa, cada gesto, cada expressão e sorrisos  foram escolhidos, estudados e pensados.

Cada crítica indireta à ex-prefeita Cláudia Oliveira foi lançada como quem joga isca, não pedra. Ele sabe que cavalo assustado e mal domado  não entra na cidade. Tem que ao menos parecer manso.

 

 

O curioso é que, depois de décadas de guerra política, Ubaldino resolveu pregar a paz justamente agora. Descobriu de repente que a possível cassação  do seu aliado de última hora, no caso o prefeito Jânio Natal, seria uma  “injustiça”, que adversário merece compreensão e que o passado deve ser superado. Nada mais nobre. Nada mais conveniente.

 

E aí chegamos ao ponto central: a deputada Cláudia Oliveira, a ex-prefeita que mais trabalhou na história de Porto Seguro com  recursos próprios. Sim, por que uma coisa é administrar com seriedade e  com recursos próprios, outra, bem diferente, é não ter responsabliodade fiscal, contratar empréstimos milionários e endividar o município por décadas para posar de tocador de obras.

 

PESADELO

 

Nesse sentido, Cláudia é o único nome que realmente ainda assombra o atual prefeito — e, por tabela, qualquer projeto de retorno de Ubaldino. Jânio sabe muito bem quanto custou derrotá-la no último pleito, algo em torno de 30 milhões de reais contra 3 milhões, fora os milhares de cargos distribuidos a assessores fantasmas.  Ele sabe que, mesmo sem dinheiro,  o tamanho da popularidade da ex-prefeita é enorme.  

 

E Ubaldino, é claro,  também  sabe. Tanto que costuma dizer, em tom de piada, mas com sinceridade brutal: “Antes de reunir o povo, o candidato precisa reunir muito dinheiro.”  Em Porto Seguro, isso significa uma fortuna.

 

Há ainda outro detalhe que incomoda a ambos: se Cláudia voltar ao poder, pode ficar – e deve ficar - oito anos no cargo. Oito anos fora do jogo para quem montou uma máquina de fazer dinheiro – caso de Jânio – ou já passou vinte no banco de reservas  - caso de Ubaldino - é praticamente uma aposentadoria forçada. E os dois sabem  muito bem disso.

 

Por  isso, o tal cavalo “alado” vai sendo montado peça por peça. Não para voar — porque cavalo não voa, ainda mais se for treinado e montado pelo ex-prefeito e pelo atual gestor. Mas para surpreender. Cavalo de Tróia não precisa correr, muito menos levantar voo. Ele só precisa que alguém abra o portão achando que é presente.

 

Cavalo que voa é lenda.
Cavalo de Tróia é história.
E a história, essa sim, costuma se repetir.

Façam suas apostas. O portão está logo  ali.

QUEM SE VENDE NÃO MERECE SER COMPRADO - O triste destino de quem se envolve na política suja de Porto Seguro

 

aaaapulitica  

Hoje observei, com o misto habitual de espanto e cansaço, uma postagem na rede social do prefeito Jânio Natal comemorando a adesão de um ex-presidente da Câmara de Vereadores — também ex-secretário de governo no tempo da prefeita Cláudia Oliveira, que se diz petista e personagem conhecido da fauna política local. Segundo o próprio currículo, trata-se de alguém que fez lambanças na Casa do Povo e que já teve contas rejeitadas pelo TCM e até mesmo seus direitos políticos cassados. Nada disso, ao que parece, atrapalhou a celebração pública da nova “aliança”. Não que o prefeito esteja errado, já que com certeza quem o procurou se ofecerendo foi o novo "amigo" e partidário. 

 

Pelo contrário: a indecência foi  descrita, como sempre,  como um grande feito político. Um marco histórico. Um encontro que resultou numa conversa “maravilho$a”, como descreveu o próprio ex-vereador, só que com cifrão no lugar do “s”.

 

Só faltou informar o detalhe realmente relevante: quanto custou a tal maravilha. Foi em dinheiro vivo? Pix? Emprego para si? Cargo para parente? Ou um lugarzinho  confortável na folha de pagamento municipal, onde centenas recebem religiosamente todo mês, faça sol ou faça tempestade moral?

 

ALIANÇA OU TRAIÇÃO PROFISSIONALIZADA?

 

Mas talvez seja ingenuidade perguntar. Afinal, chamar isso de “aliança” já é um eufemismo respeitável. O nome correto é traição profissionalizada, prática antiga e plenamente institucionalizada na política de Porto Seguro, e que ocorre de 2 em 2 anos. O balcão de negócios continua funcionando a pleno vapor — e tende a ampliar o horário de atendimento à medida que o ano eleitoral de 2026 se aproxima.

 

Nada disso, convenhamos, surpreende. Nem do lado de quem compra, nem do lado de quem, feito prostituta política,  se oferece à venda. Com todo respeito, é claro, às mulheres e que muitas vezes precisam vender o seu corpo para alimentarem suas famílias. Cada qual opera com o seu próprio código ético — quando existe algum.

 

Não vale nem a pena discutir a negociata em si, porque todos, sem exceção, os que gravitam em torno do modelo atual de poder têm um objetivo comum e inconfessável: sobrevivência financeira. Ideologia, projeto de cidade, compromisso público — tudo isso fica para os discursos de ocasião.

 

A POBREZA E O DESTINO FINAL DE QUASE TODOS

 

O que realmente merece reflexão é o destino final dessas pessoas e quanto tais "alianças" custam aos cofres públicos. .

 

E aqui o assunto deixa de ser apenas político e passa a ser humano, social e até trágico.

 

O caso desse ex-vereador vendilhão não é exceção. É regra. Sem citar nomes — para não constranger ainda mais famílias já castigadas pela realidade — basta observar o paradeiro dos ex-edis da cidade: 99% vivem hoje uma situação de pobreza, degradante, constrangedora e silenciosa. Aqueles que se diziam poderosos, indispensáveis, articuladores, hoje mal conseguem sustentar a própria casa.

 

Quando se elegem, sob o pretexto de “ajudar o povo” e “mudar a cidade”, esquecem de um detalhe elementar: a política é provisória. Não é carreira, é circunstância. Não é profissão, é mandato. A única estabilidade real no serviço público vem do concurso — todo o resto é ilusão temporária.

 

A DOCE  E TRÁGICA ILUSÃO

 

O problema é que, embalados pelo dinheiro fácil, sem metas, sem cobrança, sem horário e sem produtividade, vereadores, assessores e “lideranças” passam a acreditar que aquele padrão de vida é permanente. E então cometem o erro fatal: param de estudar, param de se qualificar, param de evoluir. Quando o mandato ou a assessoria  acaba — e sempre acaba — não sabem mais viver fora da bolha.

 

O dinheiro que, na vida privada, é suado, disputado e difícil, passa a cair na conta todo mês, chova ou faça sol. Cria-se um vício. E como todo vício, ele cobra seu preço.

 

Quando chega a hora de voltar à realidade, descobrem que não são mais competitivos, não têm profissão atualizada, não têm mercado e, pior, não têm reputação. Resultado: afundam. E, junto com eles, afundam suas famílias e até mesmo casamentos.

 

SEMPRE OS MESMOS

 

Por isso – e exatamente por isso - são sempre os mesmos rostos que reaparecem na política. Sempre os mesmos que se vendem. Sempre os mesmos que se humilham. Observe os antigos “assessores” ou “vereadores”: quantos prosperaram fora da política? Quantos construíram uma vida digna, estável, respeitável? Nenhum. No máximo, raros foram os que retornaram às suas atividades. Todos  em geral regrediram. Alguns sobrevivem orbitando outros gabinetes, como satélites sem luz própria, porque esqueceram completamente como é a vida real.

 

E aí vale a reflexão final, caro leitor: às vezes é ganhando que se perde — e perdendo que se ganha.

 

Nada é mais caro do que vender a própria alma e a consciência por alguns trocados. Nada destrói mais do que defender o indefensável em troca de conveniência. O prejuízo financeiro pode até ser superado, mas o prejuízo moral — esse se espalha, contamina a família, corrói o nome e deixa marcas permanentes.

 

A vida real é dura, sim — no bom e no mau sentido. Mas ela é justa. As leis universais não falham. A conta sempre chega. E quando chega, não aceita parcelamento, não admite desculpas e não reconhece alianças “maravilho$as”.

 

Quem se vende, no fim das contas, descobre tarde demais:
não merece ser comprado.

SIM, REALMENTE É PRECISO TIRAR O CHAPÉU PARA O PREFEITO JÂNIO TAXANDO NATAL

 

aaaparajanio

 

Confesso: este espaço não aceita — e jamais aceitará — a naturalização das centenas de lideranças políticas absolutamente inúteis, famílias fantasmas  inteiras, penduradas na folha de pagamento, sugando algo em torno de 15 milhões de reais por mês sem bater um prego num sabão sequer. Tampouco compactua com a sequência de empréstimos milionários contraídos pela atual administração, ainda mais quando se recorda que o prefeito recebeu a prefeitura com cerca de 30 milhões de reais em caixa e praticamente sem dívidas, e hoje o município acumula  um rombo que seguramente ultrapassa meio bilhão de reais, embora os números oficiais sejam distorcidos.

 

Nada disso muda o fato: sou obrigado a tirar o chapéu para o prefeito.

 

Sim, tirar o chapéu e reconhecer os grandes feitos políticos e a notável evolução pessoal do prefeito Jânio Natal. Certamente não enquanto gestor público no sentido clássico — isso seria pedir demais —, mas como político profissional que se tornou, alguém que compreendeu como poucos o funcionamento real do jogo, no qual ele se tornou um verdadeiro craque.

 

E aqui é preciso ser honesto: para o bem ou para o mal, o prefeito está mais do que certo. A população tem exatamente o governo que merece.

 

A POLÍTICA COMO BALCÃO DE NEGÓCIOS

 

Em uma cidade onde parte significativa do eleitorado encara a política como um simples balcão de negócios e instrumento para obtenção de vantagens pessoais, ilegais ou imorais, nada mais lógico e justo que a desonestidade reine soberana, ampla, escancarada e sem pudor.

Como dizem os sem noção: “isso não é prefeito, é um paizão”. Um pai que distribui benesses, afagos e promessas, que vira até evangélico se preciso for, enquanto a plateia responde com aplausos e o tradicional beija-mão digital.

 

O raciocínio é simples e lógico: “eu quero saber da minha boquinha; o resto que se dane”. E que as próximas administrações paguem a conta da farra. Afinal, dinheiro público nunca foi problema — problema sempre foi perder a vantagem.

 

Mas voltemos ao prefeito. É impossível não reconhecer: Jânio evoluiu. Evoluiu muito. De aprendiz, virou mestre na arte da enganação. 

 

O QUE O PREFEITO APRENDEU MELHOR DO QUE NINGUÉM

 

Aprendeu, por exemplo, que processar e perseguir adversários é uma burrice que só o ego explica. Aprendeu a paparicar o Ministério Público exatamente do jeito que o MP gosta, tanto que, por pior e mais visível que sejam as irregularidade praticadas,  absolutamente nada é feito contra a sua pessoa. Bingo!

 

 Além desse tratamento, digamos assim,  cortês e esmerado, ele prendeu a ouvir sua assessoria política, hoje uma das mais eficientes e inteligentes  da Bahia. Aprendeu a defender seus aliados com unhas e dentes, estejam certos ou errados. Aprendeu a não demitir ninguém, a cumprir acordos políticos, a honrar pagamentos e promessas pessoais e, quando necessário, a desaparecer, é claro, estrategicamente — como fez do dia da eleição até, pelo menos, sessenta dias atrás.

 

Aprendeu ainda o principal: não precisa fazer praticamente nada nos três primeiros anos de uma admnistração, basta projetar algumas obras para serem inauguradas no período eleitoral. Mesmo que no dia seguinte às eleições as obras sejam paralisadas. É tiro e queda. Afinal, o povo gosta de ser enganado. 

 

POPULARIDADE EM ALTA

 

Ele aprendeu mais. Aprendeu também a construir praças lindas, com chafarizes,  espaços instagramáveis de lazer, além até mesmo a  posar de bom marido, depois de manter a primeira-dama fora da vida pública por décadas, e a tratar seu vice — pessoal e financeiramente — como manda o figurino. Não por nada, para Paulinho, Jânio  é o seu maior líder e exemplo  a ser seguido. Ubaldino e Aziz que o digam se vale a pena negar ao vice a tão sonhada fatia do bolo que ele exige.

 

E, mesmo assim, absolutamente nada parece arranhar sua popularidade. Sinal que sua estratégia está correta. 

 

Nem a volta da Zona Azul, que ele jurou retirar.


Nem a Taxa de Preservação Ambiental, numa cidade que não consegue preservar sequer a Ponta Grande.


Nem a nova taxa sobre aluguel por temporada, seja via Airbnb ou pelas redes sociais — taxa que, não resta dúvida, será aprovada pelos vereadores mais venais da nossa história, que certamente  dirão com ar solene que a cobrança é “justa”, “necessária” e “inevitável”.

 

Quer prova? Basta acompanhar os comentários em suas redes sociais. Centenas praticam diariamente o beija-mão digital, na esperança de agradar o prefeito ou, quem sabe, de também serem agraciados com alguma vantagem. Porque, no fim das contas, é isso que boa parte do povo quer: vantagem, por menor que seja.

 

ADVERSÁRIOS COMO VERDADEIROS CABOS ELEITORAIS

 

Como se não bastasse, Jânio ainda conta com um auxílio precioso: a total incompetência de seus adversários. Gente que ainda acredita na velha política do dinheiro vivo e dentro da mala, do acordo não cumprido, das mentiras e manipulações sobre pesquisas eleitorais e do abandono dos próprios apoiadores antes mesmo do dia da votação.

 

O resultado? Uma lavada histórica de mais de 20 mil votos, uma surra homérica que tudo indica se repetirá com a eleição do filho, Jânio Júnior, cuja ida à Assembleia Legislativa parece mais questão de tempo do que de disputa. Fala-se, sem exagero, em vitórias por dois ou três votos contra um.

 

Até Ubaldino, seu adversário ferrenho até poucos dias atrás, pasme-se, resolveu beijar a sua mão, na esperança de que o gestor o apoie ou  ao menos que não se posicione contra sua candidatura. De bobo e de ingênuo o ex-prefeito não tem mesmo nada. 

 

Diante de tudo isso, convenhamos: não há como tirar a razão do prefeito Jânio Taxando Natal.

 

Ele apenas compreendeu — melhor do que ninguém — que, em Porto Seguro, o povo não quer gestão, quer benefício; não quer responsabilidade, quer vantagem; não quer futuro, quer presente.

 

E, sendo assim, nada mais justo:


o povo realmente tem os representantes que merece.