UBALDINO E A MALDIÇÃO DOS 30 MILHÕES

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Política, em Porto Seguro, continua sendo aquele esporte de alto risco — e altíssimo custo. Esqueça plano de governo, debate de ideias ou até mesmo decência mínima. Aqui, eleição se mede em milhões. E quem avisa não é adversário, fofoqueiro de WhatsApp ou analista de palanque. Quem avisa é Baiano, aos 80 anos, o velho cacique, ex-prefeito duas vezes (em lugares diferentes, como se fosse pouco), pai do também ex, Ubaldino Júnior, e detentor de uma coisa rara nesse ambiente: lucidez sem filtro.

 

Segundo o patriarca, vencer uma eleição hoje em Porto Seguro custa a bagatela de R$ 30 milhões. Isso mesmo: trinta milhões de reais — o preço estimado para fazer o que o atual prefeito Jânio Natal fez em 2024, ao se fantasiar de “tocador de obras” enquanto empurrava a conta pro futuro, endividando o município até que os netos dos atuais contribuintes tenham cabelos brancos.

 

A GUILHOTINA

 

Jânio, aliás, pode não chegar nem a março no cargo, se o STF resolver mesmo cassar o seu mandato — coisa que já deixou de ser ameaça e está virando só questão de calendário. Mas o fato é que sua “gestão” virou referência: não pelo que fez, mas pelo quanto gastou para fazer o que fingiu que fez.

 

Foi obra na marra, cheque especial sem limite e uma sucessão de “calotes” administrativos que transformaram Porto Seguro num carro bonito, mas financiado em 240 vezes com juros de agiota.

 

E aí entra Ubaldino. Após mais de duas décadas fora do cargo, por obra e graça do TCU, eis que os partidários do  ex-prefeito insistem e parecem cogitar uma volta triunfal à política local. Só que o pai — mais experiente e visivelmente menos iludido — não esconde sua opinião: seria burrice.

 

AQUI É NO DINHEIRO

 

Baiano, com a franqueza típica de quem já viveu, viu muito e perdeu a paciência com as ilusões da política, diz o óbvio que ninguém gosta de dizer: em Porto Seguro, não existe eleição barata, muito menos eleição limpa. Não tem almoço grátis, não tem “projeto de governo”, não tem ideologia — só tem conta pra pagar. E paga-se caro. Quem quiser brincar de prefeito tem que entrar com a mala pronta — e cheia.

 

Como diz o ex-prefeito Gilberto Abade, “eleição em Porto Seguro não é briga de menino barrigudo”. E não é mesmo. Consciência política e eleitoral é o que menos importa. Estão aí os 16 vereadores, que apoiam o atual desgoverno, e que não me deixam mentir. Ah, e tem mais: além do candidato pagar para receber o apoio na campanha, se for eleito, o prefeito vira escravo e é obrigado a bancar a "liderança" por mais 4 ou 8 anos. 

 

Pior: Baiano acredita que Ubaldino, vivendo hoje sua melhor fase pessoal e financeira, talvez não precise mais desse circo. Voltar à prefeitura pode não ser só um erro estratégico — pode ser um desperdício existencial. Afinal, por que trocar paz de espírito por reunião com vereador pidão, assessor relinchando em grupo de zap e empreiteiro ligando de madrugada querendo “liberar a fatura”?

 

VENDENDO A ALMA EM PARCELAS

 

A pergunta que resta, caro leitor, é simples e direta como uma planilha de campanha: Ubaldino vai ouvir o pai ou vai deixar a vaidade falar mais alto? Vai apostar que Porto Seguro ainda tem salvação eleitoral ou vai aceitar que, para governar a cidade, é preciso vender a alma — e ainda parcelar?

 

Saberemos em breve. Mas se depender da lógica vigente, onde prefeito bom é o que sabe gastar (com dinheiro dos outros) e liderança política é quem cobra mais caro, talvez seja melhor mesmo ficar em casa.

O AMOR (E O PODER) ESTÁ NO AR – VERSÃO EUNÁPOLIS  

 


ANETO

 

Dizem que o tempo cura tudo. E, em alguns casos, até ressuscita amizades e parcerias  políticas que já pareciam enterradas no fundo do pântano da mágoa — ou do oportunismo.

 

Eis que um passarinho, desses que não cantam, só cochicham, confidenciou ao blog que houve uma  “química” entre dois velhos conhecidos da política baiana: o prefeito de Eunápolis,  Robério Oliveira,  e o ex-deputado federal e eterno frequentador do backstage do poder, Ronaldo Carletto.

 

Sim, caro leitor. Robério e Carletto, parceiros nos tempos áureos do poder, viraram inimigos figadais na ressaca das eleições passadas. Mas bastou um casamento — justo o do filho do ex-prefeito Abade — uma taça de vinho melhor que o de costume, e um ambiente propício para “revivals”, que os dois parecem ter redescoberto o prazer de um bom conchavo. Ninguém sabe se houve beijos, abraços, ou apenas promessas sussurradas no pé do ouvido. Mas o que se comenta é que estão “às boas” novamente.

 

QUEM DEU O PRIMEIRO PASSO?

 

A questão é: quem deu o primeiro passo? Robério, cansado da solidão no campo da articulação política, ou Carletto, que não consegue ver uma luz acesa no gabinete sem tentar entrar com os dois pés? O fato é que, quando esses dois voltam a conversar, não é por nostalgia dos bons tempos — é porque tem coisa no forno.

 

Ronaldo Carletto, hoje presidente do Avante na Bahia, é aquele tipo de político que não precisa de cargo para estar no centro do poder. E, como não pode mais colocar o nome na urna com a mesma facilidade de antes, resolveu usar seu ventríloquo amestrado, o sobrinho Neto Carletto, para continuar dizendo “amém” ao que for conveniente — com o mesmo zelo pela ética de um gambá atravessando a rua.

 

A GRANDE DECEPÇÃO 

 

Neto segue os passos do tio com uma dedicação quase religiosa: pouco se importa se o que está sendo feito é certo, errado, imoral ou apenas inútil. O importante é estar perto de quem manda — mesmo que seja para segurar o guarda-chuva. Chegou ao ponto recentemente até de votar a favor da PEC da bandidagem ou da blindagem, como queiram.

 

Enquanto isso, Eunápolis segue sendo o palco desses reencontros teatrais. O povo? Bem, o povo assiste tudo da arquibancada,  esperando que dessa vez — quem sabe — algum milagre positivo aconteça, depois do efeito do verdadeiro furacão  que Cordélia Torres conseguiu fazer com a cidade vizinha, tornando Eunápolis terra devassada,  quase falindo a prefeitura e o comércio em geral com a pior administração a que se tem notícia na região nos últimos anos.

A SÍNDROME DE PINÓQUIO QUE CARACTERIZA O ARTISTA JÂNIO NATAL E A PONTE QUE O PARIU

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Porto Seguro tem o privilégio de ser governada por um artista. Não um administrador, não um gestor — mas um artista da enganação. O prefeito Jânio Natal é uma espécie de maestro do blefe, que rege a cidade ao som de promessas falsas, anúncios espetaculosos e obras que começam com fanfarra e terminam em silêncio constrangedor.

 

A cada semana surge uma nova epopeia: são quadras de esportes que desapareceram no ar como truques de mágica, restaurantes populares que nasceram como bandeira eleitoral e morreram como calote milionário, a volta triunfal da Zona Azul mais cara que estacionamento de shopping de luxo, ou as tais das Reurb e que, em 5 anos,  nunca foram entregues à população. 

 

Tudo com a mesma assinatura: a velha “síndrome de Pinóquio”, marca registrada de um prefeito que fala muito, promete mais ainda e entrega quase nada.

 

O caso da ponte Porto Seguro–Arraial é um espetáculo à parte. Jurou que seria a obra do século. Parou exatamente no dia da eleição de 2024. Ficou abandonada por um ano, mas agora volta à cena com um custo milionário e um show de Durval Lelys, corrida de rua e camisetas.

 

É a ponte que o pariu — literalmente. Obra parada, dinheiro voando e o contribuinte pagando a conta, como sempre.

 

Enquanto isso, a prefeitura segue a lógica do caixa-preto: herdou R$ 30 milhões em dinheiro vivo e sem dívidas. Hoje, deve meio bilhão. Meio bilhão. Tudo com parcelas descontadas direto do Fundo de Participação dos Municípios, o que significa que o próximo prefeito já começa o jogo perdendo de goleada. A operação tem até nome clássico: “Rapa do Tacho”.

 

AFINAL, CADÊ O MP?

 

E o Ministério Público? Ora, o MP em Porto Seguro parece viver em outro planeta. Restaurantes populares usados em campanha? Não houve fraude, diz a promotoria. Festas milionárias sem licitação? Silêncio absoluto. É como se o órgão fiscalizador tivesse se transformado em fã-clube oficial da administração.

O DOMÍNIO DO CRIME ORGANIZADO 

 

O problema é que a cidade não é palco de circo. Nos bairros mais pobres, onde a presença do Estado é só uma piada de mau gosto, o crime organizado ocupa o espaço que o prefeito abandonou. Turistas e moradores que se cuidem: enquanto Jânio canta vitória em palanque, a panela de pressão social ferve prestes a explodir.

 

No fim, resta uma certeza: em Porto Seguro, cada promessa de Jânio é um investimento em frustração. Se o STF confirmar de fato a cassação do prefeito, o que sobrará é a herança de Pinóquio: cofres vazios, cidade endividada e uma ponte de faz de conta.

 O NOVO  ESTELIONATO ELEITORAL EM PORTO SEGURO 

 

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O poder sempre foi uma ilusão cara. Na Roma Antiga, pelo menos, o sujeito tinha que enfrentar leões. Hoje, em Porto Seguro, basta recomeçar  uma obra que na verdade nunca foi iniciada, inventar uma festinha com dinheiro público e achar que o povo vai aplaudir como se fosse o maior feito da história da humanidade. E geralmente dá certo. 

 

Pois é, o prefeito Jânio Natal, prestes a ser cassado, ao menos presume-se, resolveu acordar do retiro espiritual de um ano e retomar a famosa ponte Porto/Arraial — aquela mesma que virou piada depois de parar um dia depois das eleições. Agora, com um olho na Justiça e outro no caixa, o prefeito tenta vender a ideia de que está “trabalhando”. Na verdade, está é fazendo malabarismo para salvar a própria pele e empurrar goela abaixo seu vice, Paulinho Toa Toa, como herdeiro político.

 

O REBANHO EM FESTA

 

O que choca não é o estelionato eleitoral em si — isso já virou rotina no Brasil. O que realmente espanta é ver o rebanho literalmente em festa, correndo para tirar foto, postar coraçãozinho e escrever textão de agradecimento como se o prefeito estivesse pagando a obra do próprio bolso. Isso depois de gastar mais de R$ 1 milhão em show de axé e corrida, como se Porto Seguro não tivesse buracos e  problemas de sobra esperando solução.

 

Realmente é surreal. É mais uma vez Porto Seguro sendo Porto Seguro. Uma verdadeira cusparada na cara do contribuinte transformar promessa de campanha em espetáculo. Mas, para a plateia dos bajuladores, tudo bem: enquanto tiver nomeação fácil e contracheque sem precisar trabalhar, vale aplaudir qualquer coisa — até nota de 3 reais.

 

No fim das contas, não há mágica nenhuma: é o prefeito desesperado, endividando o município e raspando o tacho até o último centavo para manter vivo o seu projeto pessoal de poder. Quem acredita na súbita vocação de Jânio para “salvar a cidade” merece mesmo continuar sendo enganado. Porque, como sempre, só se engana quem quer.

QUEM ME VIU E QUEM ME VÊ...

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Antes que a patrulha do ódio gratuito comece a gritar pelos cantos, vamos direto ao ponto: sim, essa foto minha com o ex-prefeito de Porto Seguro, Ubaldino Júnior, é real. Tomamos um café há 2 dias atrás, conversamos bastante, e eu não tenho nada a esconder de seu ninguém nesta cidade. Quem quiser achar que foi “acordo político” ou “virada de casaca”, problema de quem acha. O que as pessoas pensam ou deixam pensar sobre mim não faz a menor diferença. Vale o que eu sou, não o que dizem que sou. 

 

AS PESSOAS MUDAM

 

Isso porque, convenhamos: eu combati Ubaldino com unhas e dentes no tempo do antigo Topa Tudo. Denunciei, bati forte e não me arrependo de absolutamente nada. Entendo que era meu papel à frente do jornal à época e acredito que eu cumpri. Tenho certeza de que fiz o que nunca ninguém fez ou fará dentro de Porto Seguro contra um político. Sou  ainda do tempo que a imprensa tinha colhões e vergonha na cara, hoje, basta observar, é tudo no dinheiro. Só não vê quem não quer.

 

Só que o mundo não parou em 2003. A verdade é que eu mudei, ele mudou, os tempos mudaram. Quem nunca errou que atire a primeira pedra.

 

SE ELES PODEM

 

Santo, nem eu, nem ele. Muito menos o resto do cenário político brasileiro. Até porque, se for pra falar de escândalo, basta lembrar: Lula voltou, a Lava Jato foi jogada no lixo, Moro e Dallagnol foram triturados pela engrenagem, e a turma que deveria estar aposentada na Sibéria está de volta à festa, sob a chancela so STF. Nesse baile de máscaras, Ubaldino não é nem o pior convidado.

 

Há uma diferença básica: Ubaldino nunca foi arrogante. Levou as pancadas, pagou caro por elas, refez a vida, virou advogado, manteve a cabeça erguida e não se vingou de ninguém. Isso, acreditem, é artigo de luxo na política brasileira. Quem conhece o jogo sabe do que estou falando.

 

Carisma ele sempre teve, inteligência idem. E, pasmem, até reconstruiu pontes com antigos desafetos — coisa rara nesse ramo onde todo mundo só pensa em serrar a tábua do vizinho.

 

QUE SEJA BEM-VINDO

 

Então, vou ser bem claro: não sou eu, já quase dobrando o Cabo da Boa Esperança, que vou me dedicar a combater e a tentar manter Ubaldino eternamente fora do tabuleiro. Se vai ser candidato este ano, em 2028 ou em Marte, não sei. Se vou apoiá-lo ou votar nele, também não sei. Mas uma coisa é certa: bem-vindo de volta ao jogo ele será.

 

E aqui entra o lado pessoal: sei muito bem quem eu apoiei, e sei também quem me apunhalou pelas costas — gente que se dizia amiga, gente em quem eu confiava e que me traíram vergonhosamente. 

 

Do inimigo a gente espera a facada; do amigo – e da amiga -  espera no mínimo  amizade, carinho, respeito e consideração. Pois é. Nessa matemática ingrata da política, hoje prefiro mil vezes Ubaldino — que ao menos  foi adversário leal — a certos “amigos” que só sabem usar e descartar.

 

O PORQUÊ REALMENTE TODOS EM BREVE SABERÃO

 

Porto Seguro vai entender, cedo ou tarde, minhas reais razões, embora eu não deva explicações para ninguém que não seja a minha própria consciência. Mas na hora certa vou me levantar e esclarecer. A questão não é nem financeira, até porque se fosse financeira poderia ser facilmente  resolvida. Na verdade, é muito mais do que isso. Existem coisas que não tem dinheiro que resolva.  

 

E, no fim das contas, o que eu penso é simples: se Ubaldino, com todos os erros que cometeu, ainda merece uma chance, é porque já mostrou mais grandeza do que muita gente que se diz limpa, mas que vive suja até o pescoço.

 

No fim, Porto Seguro é quem vai julgar se ele merece voltar ao jogo. Eu, da minha parte, digo: bem-vindo de volta. Se vou apoiá-lo ou não, é outra história. Mas entre Ubaldino — com todos os erros dele — e certos “amigos” que me  apunhalaram  pelas costas, fico com ele mil vezes.

 

Quem não gostar, que reclame com o bispo. Ou com o papa.