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ZONA AZUL: A CONTA É NOVA, MAS A TRAPAÇA É ANTIGA. E QUEM PAGA  É O MOTORISTA!

ZONA AZUL: A CONTA É NOVA, MAS A TRAPAÇA É ANTIGA. E QUEM PAGA É O MOTORISTA!

Noticias 04 de agosto de 2025

zona azul

 

 

Porto Seguro acaba de reinaugurar sua Zona Azul. Agora com aplicativo, leitura digital de placas, discurso bonito e os mesmos elogios de sempre da CDL, da Associação Comercial  e da imprensa de aluguel — aquelas que vivem em um mundo onde cobrar mais é sinônimo de gestão moderna. A nova versão vem com promessas de eficiência e transparência. Mas, como já se sabe por aqui, embora a volta da Zona Azul seja extremamente necessária - eu mesmo sou ardoroso defensor da ideia - promessa de campanha em Porto Seguro vale tanto quanto sinal de wi-fi de hotel barato.

 

Vamos aos números, que não mentem — mesmo que a prefeitura tente e o meu amigo Vinícius Brandão, presidente da CDL,  não concorde com minha reflexão. Senão,  vejamos, já que a matemática ainda  é uma ciência exata: em 2019, o sistema da empresa Palmas foi implantado sob regulação do Ministério Público, via Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com valores claramente definidos: R$ 2,00 por hora para moradores, R$ 4,00 para turistas, fracionamento de R$ 1,00 por meia hora e desconto automático após duas horas. Havia ainda vaga de longa duração, gratuidade para idosos e deficientes e, o mais importante, previsão contratual de repasse mínimo de 10% da arrecadação para o município — fora o ISS, que girava em torno, presume-se,  de 5%, dependendo do regime tributário da empresa Palma, a qual não sei informar no momento.

 

Vai prestando atenção, caro leitor. Na prática, o município recebia - em tese - até 15% do faturamento bruto da concessão, com prestação de contas mensal, sob pena de penalidade e, caso não atingisse os 10% a empresa era obrigada a complementar o percentual faltante. Agora, a gestão atual, que adora falar em inovação, promete um repasse de 17% — mas não diz claramente se o ISS está incluído nesses 17% ou não, ou seja, caso esteja incluso, a diferença entre a arrecadação municipal  de antes e de agora seria de apenas 2% .  Não sendo este o caso, a diferença seria de no máximo 7%, digamos assim de "vantagem" para o município. E como tudo por aqui virou pegadinha institucional, a sensação é de déjà vu: o discurso é novo, mas a enganação é a mesma.

 

SALTO ESCANDALOSO 

 

Em valores, o salto de preços  é escandaloso. O que custava R$ 2,00 por duas horas para um morador, agora custa R$ 7,00. Um aumento de nada menos do que  250%, isso quando a inflação entre 2020 e 2025 foi de apenas  33,23%, segundo dados do IPCA. Significa dizer que se o preço atual fosse corrigido com seriedade, o valor deveria estar em torno de no máximo  R$ 2,66 por hora. Mas em Porto Seguro, o que se corrige não é a tarifa: é a memória da população, com doses cavalares de propaganda e ilusionismo institucional.

 

Desapareceram os descontos, a tarifa local para carros emplacados aqui,  o fracionamento de meia hora e a tolerância de 10 minutos. O novo modelo cobra mais e entrega menos — e faz isso sem sequer garantir diferenciação entre quem mora aqui e quem está de passagem. A isonomia virou desculpa para nivelar por baixo. O morador de Porto Seguro virou um estranho em sua própria cidade, punido por não ser turista. E mais: desaparecem os benefícios antes concedidos aos moradores, inclusive para os veículos emplacados no município.

 

Essa conversinha mole de que oferecer descontos para moradores seria ferir a isonomia, não se justifica, ou melhor, só  se justifica para quem insiste em bater palmas para quem lhe tunga o bolso. Seria a tal “Síndrome de Estocolmo”, segundo a qual a vítima desenvolve sentimentos de afeto, simpatia ou até mesmo amor por seu sequestrador, condição psicológica que ocorre quando o sequestrado, submetido a um longo período de intimidação e abuso, passa a desenvolver laços emocionais com o seu agressor/sequestrador?  Sim porque no novo sistema não haverá  mais a tarifa local, nem promessa de diferenciação justa entre contribuinte residente e turista eventual. A atual gestão criou uma tarifa única que penaliza todos de maneira igual — e quem mora em Porto Seguro sabe que esse “igual” costuma significar “para pior”. 

 

LITERATURA DA ENGANAÇÃO 

 

O argumento da “transparência digital” é outro capítulo da literatura da enganação. Muito se fala em tecnologia, OCR, GPS, aplicativo... mas nada se diz sobre o que interessa: quanto será efetivamente repassado ao município? Qual o mecanismo de controle? Quem fiscaliza? Até agora, nenhuma resposta. Na gestão anterior, ao menos havia um TAC assinado com o Ministério Público, uma lei municipal clara e prestação de contas regular. Hoje, o que há é um discurso solto e um número mágico: 17%. Mas o que há de concreto nesse número? Ninguém ainda  sabe.

 

Mais escandaloso é o silêncio sobre a forma como a empresa anterior foi expulsa e o serviço foi encerrado. A Palmas foi punida com uma multa de mais de  R$ 18 milhões — mesmo tendo operado por poucos meses, e tendo sido obrigada a paralisar atividades por conta da pandemia, entre março de 2020 e março de 2021. A atual gestão, eleita prometendo extinguir a Zona Azul, fez exatamente o contrário: extinguiu foi a concorrência, manteve a cobrança e aumentou assustadoramente  o preço — sem qualquer pudor em chamar isso de “avanço”.

 

No fim, o que se vê é o mesmo velho truque. A nova Zona Azul é mais cara, mais impiedosa,  menos justa e insensível, e mais obscura. É uma reforma que começa no bolso do cidadão e termina no caixa de quem ganhou a licitação, além de certamente reservar boa parte do faturamento para um  misterioso saco sem fundo que insiste em menosprezar a inteligência dos moradores e, principalmente, de quem fiscaliza os atos públicos.  Um projeto que prometia modernidade, mas que entrega o de sempre: a velha política, com novo nome e velha conta para o contribuinte pagar.

 

A nova Zona Azul surge, assim, como um simulacro de avanço. É mais cara, mais severa e mais insensível. Serve menos ao cidadão e mais à máquina arrecadatória disfarçada de “mobilidade urbana”. Se é isso o que se entende hoje por progresso, então é bom que os porto-segurenses se preparem: como em tudo nesta atual administração, os próximos avanços podem custar ainda mais caro.

A MILÍCIA DOS BONS SENTIMENTOS E O CHATBOT DA REFORMA AGRÁRIA. “CAMPONESES” QUERENDO  RECEBER 2 OU 3 VEZES. A ETERNA LADAINHA. ENGANANDO A JUSTIÇA.

A MILÍCIA DOS BONS SENTIMENTOS E O CHATBOT DA REFORMA AGRÁRIA. “CAMPONESES” QUERENDO RECEBER 2 OU 3 VEZES. A ETERNA LADAINHA. ENGANANDO A JUSTIÇA.

Noticias 03 de agosto de 2025

FAKE

 

Se antigamente o papel aceitava qualquer coisa, hoje a inteligência artificial aceita mais ainda — e com menos vergonha. Agora não é mais necessário um redator, um repórter ou sequer um estagiário. Basta alimentar um robozinho com palavras como “grileiro”, “latifúndio”, “milícia fundiária”, “indígena”, “reforma agrária” e “governo popular” e,  - voilá - temos um editorial prontinho, envolto em vitimismo retórico, recheado de adjetivos militantes e com cara de reportagem.

 

A peça mais recente dessa nova modalidade de ficção política atende pelo pomposo título de "Grilagem, Fraudes Cartoriais e a Criminalização da Reforma Agrária: O Ataque aos Camponeses em Porto Seguro”. O título já entrega o jogo: aqui não se quer informar, mas catequizar. A narrativa já vem pronta, os vilões definidos, os mocinhos canonizados — e a realidade? Ah, a realidade é um detalhe inconveniente.

 

Complô universal?

 

Pois bem. Segundo os autores (ou talvez seus algoritmos), camponeses puros e indígenas angelicais estariam sendo escorraçados de suas terras por empresários malignos, com o apoio — veja só — de cartórios, juízes, políticos, jornalistas e até entidades cósmicas. Um complô universal, aparentemente.

 

A história não se sustenta por um parágrafo sem escorregar na própria lógica: como podem ser “pobres camponeses expulsos por grileiros milionários” se **receberam — em dinheiro — por essas terras não uma, mas duas ou até três vezes?** Não se trata aqui de uma injustiça, mas de uma performance. Recebem, saem, retornam, ocupam, voltam a receber e — surpresa — ocupam de novo. É a reforma agrária em looping, financiada por indenizações públicas e privadas.

 

Mas o mais novo capítulo dessa novela é ainda mais audacioso: agora tentam colar no cartório de Porto Seguro — aquele mesmo que nunca teve condenação por fraude nessas transações — a pecha de cúmplice do crime organizado. Tudo porque a Corregedoria abriu uma investigação (como manda o protocolo, aliás), e isso já virou prova de culpa para os redatores do panfleto.

 

Aliás, “panfleto” talvez seja bondade. O texto em questão parece ter sido redigido por um chatbot programado no diretório acadêmico de Ciências Sociais da USP. Expressões como “máfia fundiária”, “Liga da Justiça dos grileiros” e “mídia golpista” não são argumentos, são slogans — feitos para repetir, não para explicar.

 

Tentando reescrever a história

 

E não para por aí: qualquer jornalista que ouse relatar o outro lado da história — aquele que mostra **acordos assinados, documentos autenticados e reintegrações de posse com ordem judicial** — é automaticamente rotulado de “miliciano da informação”, “agente do latifúndio”, ou, como diz o texto, “ex-jornalista a serviço dos grileiros”. Curioso que ninguém se incomode com a quantidade de vezes que esses “camponeses” foram indenizados, nem com o fato de que seus próprios advogados **reconheceram, em recentes reuniões em Salvador**, que estão tentando “chegar a um novo acordo”. Leia-se: **extorquir mais uma rodada de pagamentos de Moacir Andrade, Preciatto e Philippe Meus.

 

A função social da terra — tão evocada no grito militante — não inclui o direito à trapaça. A Constituição garante terra a quem nela trabalha, mas não premia a esperteza de quem finge sair para depois voltar com faixas e slogans. Litigância de má-fé não é militância; é crime processual.

 

A verdade que em breve virá

O Judiciário — esse mesmo que os panfletários acusam de estar a serviço dos empresários — continua a funcionar com base em provas, não em hashtags. E por mais que a IA escreva bonito, ela não altera fatos. Matrículas registradas não viram falsas porque uma militante de colégio resolveu criar um PDF cheio de adjetivos revolucionários.

 

O que há, no fundo, é a velha tentativa de maquiar a esperteza como resistência. O que se vê não é luta pela terra, é tentativa de penhorá-la pela terceira ou quarta  vez. E o que se lê nesses textos “criados” com IA é apenas um roteiro repetido: o de sempre — onde o vilão é o capital, o herói é o “oprimido” e a verdade é um detalhe que só atrapalha.

 

E quando a polícia realmente busca os verdadeiros criminosos, encontra nada menos do que 7 potentes e modernos fuzis junto aos acampamentos, como aconteceu no dia de ontem.  

LÍDERES DE INVASÕES OU DE FACÇÕES? O APOIO DO GOVERNO DO ESTADO E DA PREFEITURA AOS CRIMINOSOS. PORTO SEGURO NA BERLINDA. O FISIOLOGISMO PETISTA. OS VERDADEIROS INIMIGOS DA ORDEM.

LÍDERES DE INVASÕES OU DE FACÇÕES? O APOIO DO GOVERNO DO ESTADO E DA PREFEITURA AOS CRIMINOSOS. PORTO SEGURO NA BERLINDA. O FISIOLOGISMO PETISTA. OS VERDADEIROS INIMIGOS DA ORDEM.

Noticias 02 de agosto de 2025

fuzil

 

A apreensão cinematográfica de sete modernos e potentes fuzis de guerra, neste  sábado, na Fazenda Tabatinga, às margens da rodovia para Eunápolis, quase em frente ao anel viário,  à Faculdade Atenas e o Loteamento Portobello, revela mais do que a presença ostensiva do crime organizado em Porto Seguro. Revela sobretudo a omissão, a cumplicidade e o apoio silencioso de uma gestão municipal que se diz conservadora, mas que age como verdadeira aliada dos marginais travestidos de "lideranças políticas".

 

O atual prefeito, que em palanques se vende como homem da “direita e do bem” (só se for dos bens. né? ) e defensor da ordem, é hoje o principal fiador político de um sistema de invasões criminosas travestidas de movimento social. Sob seu mandato, ex-secretários petistas com passagens nebulosas, vereadores fisiológicos e líderes comunitários de fachada tomam conta do cenário, articulando com facções e traficantes o controle territorial da cidade.

 

O caso da Tabatinga, pertencente ao empresário Moacir Andrade,  é simbólico: entre os articuladores da invasão, ninguém menos do que um ex-secretário municipal justamente da Agricultura, petista notório e envolvido em escândalos antigos; um ex-presidente do transporte alternativo; um ex-cabo da PM acusado de abuso sexual contra menores; e um suposto chefe do tráfico local. Todos com padrinhos políticos e proteção institucional garantida.

 

E onde estão os vereadores? Ao lado do prefeito, legitimando as invasões, discursando em nome do povo enquanto enterram a legalidade. Parece que transformaram o Legislativo em extensão da milícia urbana, aprovando pautas convenientes, blindando aliados e fingindo não ver que Porto Seguro se tornou a capital baiana da impunidade.

 

CDA: O Estado Contra a Propriedade

 

Mais grave ainda é o papel da CDA (Comissão de Desenvolvimento Agrário), sob o comando do governador Jerônimo Rodrigues, que, em vez de garantir o direito de propriedade e colaborar com a Justiça, entra com petições absurdas nos processos de reintegração de posse, confundindo crime com pobreza, invasor com vítima, e empurrando os julgamentos para o limbo , enquanto as edificações se consolidam, para tonar praticamente imposssivel a reintegração das áreas aos legítimos proprietários. 

 

Enquanto isso, o  prefeito e seus vereadores amestrados fingem representar o cidadão de bem, mas entregam a cidade nas mãos de quem está armado até os dentes. Fingem combater o crime, mas o alimentam com cargos políticos, promessas e omissão. O cidadão está refém. A cidade está sitiada. E a democracia local virou escândalo internacional.

 

Porto Seguro precisa despertar. Não se trata mais de diferenças eleitorais ou ideológicas, mas de sobrevivência civilizatória. O que está em jogo é a fronteira entre a lei e a barbárie. Já chegamos no limite da violência para uma cidade que sonha em se manter na vanguarda do turismo nacional e internacional. E não há neutralidade possível quando o poder público se alia ao crime.

 

Que a polícia continue seu trabalho. Que o Judiciário faça sua parte. E que os eleitores saibam quem são os verdadeiros inimigos da ordem.

DE VOLTA AOS VELHOS TEMPOS

DE VOLTA AOS VELHOS TEMPOS

Noticias 01 de agosto de 2025

tempos

 

Resolvi, por um tempo, deixar de lado certas polêmicas. Não por medo, mas por cansaço. Acreditei que poderia viver no meu canto, em silêncio, quietinho e observando de longe o desfile de absurdos. Mas é difícil, ainda mais para quem, como eu,  tem TDHA. A indignação, para alguns, não é opção: é compulsão. Volto, portanto, com minha pena em punho e um velho blog nas mãos. Sim, blog. Não jornalismo. Há quem não saiba separar e confunda as coisas. Um blog é uma fogueira de ideias pessoais. Jornalismo, ao menos o que se levava a sério, exige mais. Muito mais.

 

Sou das antigas. Daquelas madrugadas de sexta-feiras  em claro para rodar o jornal impresso e entregar fresquinho no sábado pela manhã.  Nessa condição, por mais de 15 anos conheci os bastidores do poder local como poucos. Sei bem como a engrenagem gira, quem gira junto e quem finge estar parado. Também sei, por experiência, que falar verdades por aqui é pedir para ser malquisto. Mas vá lá. Nem todo mundo nasceu para bater palmas e calar.

 

Alguns leitores, como o meu amigo Cezar Aguiar e o jornalista  Geraldinho Alves,   dizem que escrevo demais. Que ninguém quer mais saber de textos longos, de ideias encadeadas, de reflexões que exigem mais do que 140 caracteres. Querem memes. Querem frases de efeito. Querem o óbvio mastigado. Que pena. Ainda insisto na palavra escrita como ferramenta de confronto, não como passatempo de tela.

 

O PREÇO DE TER OPINIÃO 

 

Ao longo da estrada, percebi o preço de ter opinião. Quem hoje aplaude uma denúncia feita por conveniência, amanhã atira a primeira pedra quando o alvo se aproxima de sua sombra. Tapinha nas costas? É só até a primeira vírgula que desagrada. Quando o bicho pega, não sobra um sequer para testemunhar a seu favor, muito menos para dividir o peso de um  processo.

 

Mais velho, mais sóbrio, talvez menos impulsivo, decidi ressuscitar um velho conhecido: o Contraponto. Um blog que, pretendo, seja desafinado com o coro dos satisfeitos. Sinto saudade do Zé Ninguém, personagem que, sem medo de cara feia, calou muita gente graúda em Porto Seguro. E se tiver que recomeçar, que seja com a mesma coragem. Porque os tempos mudaram, sim. Mas, ao que tudo indica, estamos de volta aos velhos tempos.

ONDE PASSA UM BOI... A SELETIVIDADE DO MP. NA BOCA DA URNA. A CONDENAÇÃO DA EX-PREFEITA CLÁUDIA. DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

ONDE PASSA UM BOI... A SELETIVIDADE DO MP. NA BOCA DA URNA. A CONDENAÇÃO DA EX-PREFEITA CLÁUDIA. DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Noticias 01 de agosto de 2025

 


justa

 

Vivemos num Brasil curioso, desses que fariam Kafka abandonar a ficção para escrever editoriais. O cidadão que ainda guarda alguma ilusião sobre o que se chama de sistema de justiça, esse ente abstrato que deveria valer para todos, pode começar a acordar. Basta olhar com atenção para o comportamento de certos membros do Ministério Público, que operam com a delicadeza de inquisidores e a seletividade de quem escolhe vinho caro em supermercado gourmet.

 

A condenação recente da deputada estadual  Cláudia Oliveira é exemplo típico desse jogo de cartas marcadas. Condenada pela Justiça Federal a inacreditáveis  8 anos e 9 meses de prisão e a uma multa de 120 salários mínimos por contratar um escritório de advocacia durante sua gestão como prefeita. Isso, curiosamente, faltando apenas 60 dias para as eleições de 2024, reforçando a suspeita de que interesses menos nobres e nada republicanos  embasaram a teratológica decisão, posto que tal condenação, por certo,  não deve sobreviver ao primeiro grau de recurso, tal a sua desproporcionalidade. O valor total do serviço? R$ 735 mil em sete anos. Algo em torno de R$ 8,7 mil por mês. O argumento do juiz: não houve licitação. Não se discutiu a qualidade do serviço, nem se houve superfaturamento. Apenas a licitação. Ponto.

 

A OUTRA FACE DA MOEDA

 

Agora, observe-se a outra face da mesma moeda. Familiares de um certo promotor da região, que ostenta ares de justiceiro moralista e faz questão de ser visto como guardião da ética, receberam ou recebem algo em torno de R$ 200 mil por mês de ao menos nove prefeituras do Extremo Sul baiano. Isso mesmo: R$ 200 mil mensais, R$ 2 milhões por ano. Jovens egressos da faculdade, sem especialização suficiente para justificar a dispensa de licitação, com contratos e recomendações  copiadas de uma prefeitura para outra, como se fosse modelo de receita de bolo. E, veja só, até durante a pandemia, com prefeituras fechadas, receberam para acompanhar projetos de regularização fundiária. Valor total dos serviços em 7 anos, nada menos do que  R$ 14 milhões. 

 

Compare-se: R$ 8,7 mil por mês contra R$ 200 mil ou R$ 735 mil com R$ 14 milhões.  Uma condenada, outros intocados. Nenhum escândalo. Nenhuma ação. Nenhuma investigação. A seleção é cirúrgica, como sempre. Contra uns, a lei é espada. Contra outros, é lenço umedecido.

 

INJUSTIÇA MASCARADA

 

E não se trata de defender Cláudia Oliveira. Ela é maior de idade, responsável pelos seus atos e deve responder por eles. O ponto não é esse. O ponto é o desequilíbrio. A incoerência. A injustiça mascarada de zelo pela coisa pública. O mesmo MP que fecha os olhos para os milhões de seus protegidos é o que ruge contra R$ 8 mil por mês. E a Justiça? Ah, essa assina embaixo, de olhos vendados – mas só quando convém.

 

Talvez a frase "onde passa um boi passa uma boiada" esteja mesmo atual. O problema é que a boiada não está passando para todos. Para uns, como acontece atualmente em Porto Seguro, é cancela aberta. Para outros, é tribunal.

 

E a gente, aqui do lado de fora, ainda insiste em chamar isso de Justiça.

  1. O PREÇO DA PREFEITURA. PASTO PARA FANTASMAS. PARTIDOS DE ALUGUÉIS E A TRAGÉDIA ANUNCIADA EM PORTO SEGURO
  2. O 8 DE JANEIRO. A TOGA JUSTICEIRA. TRUMP FALASTRÃO E O TEATRO DA REDENÇÃO BOLSONARISTA
  3. ALÉM DA CORTINA DE FUMAÇA: A PREFEITURA, OS CARTÓRIOS, O PAPEL DA CORREGEDORIA EM PORTO SEGURO E A TAL ILHA DO URUBU
  4. EX-PREFEITA CLAÚDIA OLIVEIRA TEM CONTAS DE 2019 APROVADAS COM RESSALVAS PELO TCM

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