
A direção da APLB foi procurada recentemente pelo maior site de Porto Seguro, o Porto Seguro Notícias, para se manifestar sobre o conteúdo do Blog que venho tornando público — um trabalho detalhado, fundamentado e sustentado em provas, que desmonta a narrativa construída ao longo de 17 anos sobre o chamado “crime de mando político”, envolvendo o caso dos professores, o qual pode ser esmiuçado à exaustão por qualquer acadêmico de Direito com um mínimo de vontade ou de tino investigativo. A resposta? Como sempre, o silêncio.
Não um silêncio qualquer. Um silêncio conveniente. Até mesmo porque o conteúdo do Blog ( acesse www.casodosprofessores.com.br) foi disponibilizado à entidade há mais de 1 ano atrás, ou seja, não é surpresa para a referida associação.
A justificativa apresentada — de que não responderia a quem será testemunha de defesa dos acusados — não passa de um álibi retórico para evitar o que realmente importa: o confronto com os fatos. Porque quando os fatos entram em cena, a narrativa da APLB desmorona.
E é exatamente isso que está em jogo.
A DENÚNCIA ABSOLUTAMENTE FANTASIOSA
Desde os primeiros dias após a tragédia, dois promotores trataram de oferecer à sociedade uma história pronta, emocionalmente atraente, mas juridicamente frágil. Uma acusação grave, barulhenta, midiática — e absolutamente carente de provas razoavelmente consistentes. O tempo passou, mas o conteúdo nunca evoluiu em mais de 17 anos. Pelo contrário, permaneceu ancorado no mesmo ponto: apenas a palavra de dois criminosos confessos, cujas versões mudaram mais de uma vez em questão de dias.
Isso não é prova. Isso é conveniência acusatória.
Pior: essas versões contradizem frontalmente elementos objetivos dos autos. Há inconsistências gritantes, incompatibilidades com depoimentos de familiares das próprias vítimas e provas que afastam, de forma clara e irrefutável, a presença dos acusados na cena do crime. Ainda assim, insiste-se na acusação como se repetir uma história fosse suficiente para torná-la verdadeira.
Não é.
O DESAFIO QUE DURA MAIS DE 17 ANOS
E é justamente por conhecer cada detalhe desse processo — ontem como jornalista, hoje como advogado — que afirmo, sem qualquer hesitação: trata-se de uma acusação insustentável. Uma construção que não resistiria a um exame minimamente sério, técnico e honesto.
Por isso fui além das palavras. Desafiei publicamente: ofereço um carro o km a quem conseguir me desmentir com base em provas. Não em narrativas. Não em convicções. Em fatos. Desafio este, convenhamos, que a APLB deveria ser a primeira a procurar enfrentar.
Esse não é um gesto de arrogância, até mesmo porque não tenho um carro 0 km nem para mim. Mas é a expressão de quem tem absoluta convicção no que afirma. Porque ninguém em sã consciência desafia Polícia, Ministério Público, sindicato e a opinião pública ao mesmo tempo — a menos que tenha razões sólidas para isso.
POR QUE O SILÊNCIO
O que causa perplexidade não é a discordância. É a recusa em debater.
Se há tanta certeza na acusação, por que o silêncio? Por que não enfrentar os argumentos de quem ousou por tantos anos enfrentar os acusadores e tentar desmascarar a farsa que envolve o caso?
Por que não analisar, com seriedade, o conteúdo que está disponível e documentado, inclusive com documentos e os relatos inéditos de advogados, vereadores, de um juiz de direito e do próprio delegado que comandava as investigações iniciais sobre o caso e que garante que tudo não passou de uma farsa?
Estariam todos acomunados com o intuito de mentir e de tentar enganar à sociedade?
A resposta é desconfortável, mas evidente: porque fazer isso, é claro, exigiria admitir que, durante anos, se sustentou uma versão que não se mantém de pé.
E isso tem consequências.
Bradar por justiça é legítimo. Mas insistir na condenação de inocentes não é justiça — é erro. E erro, quando consciente ou negligente, torna-se injustiça.
A maior tragédia aqui não é apenas o crime que vitimou dois professores. É o risco real de que, em nome dessa tragédia, se cometa outra: a destruição da vida de pessoas inocentes para sustentar uma narrativa que jamais se provou verdadeira.
O silêncio da APLB não é neutro. Ele diz muito.
E, talvez, diga tudo.

