
O Brasil, hoje, virou uma espécie de reality show onde ninguém ganha, mas todo mundo perde a compostura. A extrema direita grita “comunismo!” ao ver um pé de alface plantado com verba pública, enquanto a esquerda surta com qualquer um que ouse duvidar que Lula seja a reencarnação de São Francisco de Assis com diploma do MIT. Resultado? Um país afundado em ressentimento, histeria e uma saudável dose de idiotia coletiva.
A moda agora é o discurso do ódio — não aquele que vem com fuzil, mas o que vem com verbo afiado, tweet malicioso e fake news temperada com indignação moral de plástico. O ódio, vejam só, virou programa de governo. Virou linha editorial. Virou filosofia de vida. Não se trata mais de debater ideias. Isso é coisa de quem ainda tem neurônio funcionando. Agora o esporte é destruir quem pensa diferente — ou, pior, quem não pensa como o seu lado gostaria que você pensasse.
CAÇA ÀS BRUXAS
A esquerda, com seu eterno complexo de superioridade moral, resolveu que está na hora de passar o país a limpo. Pena que o sabão usado cheira mais a vingança do que a justiça. Caça às bruxas, tribunais de exceção da internet, patrulhamento ideológico e uma ânsia quase orgásmica de calar o outro. É a turma do “amor venceu”, mas com o porrete da censura na mão.
Do outro lado, o bolsonarismo, que transformou a ignorância em virtude e a grosseria em argumento. Lula, para essa gente, não é um presidente — é o anticristo de sandália. Bolsonaro, mesmo inelegível e condenado, virou mártir, herói, messias... tudo, menos o que realmente é: um falastrão incorrigível, com mais processos do que ideias.
Famílias se desfazem, amizades viram pó, e cada conversa vira uma trincheira. Um amigo vira inimigo por um comentário em tom errado. Uma irmã te olha torto porque você não repetiu a ladainha anti-PT do grupo da família. O país virou um grande campo de batalha onde só existe uma regra: quem não está conosco, está morto. Politicamente, claro (ainda).
EXPERIÊNCIA PRÓPRIA
Eu mesmo, outro dia, ousei dizer que Bolsonaro provavelmente será preso. Foi o suficiente para receber um olhar que, em tempos antigos, só se dava a traidores da pátria. E não pense que os “progressistas” são melhores. Se você não bater palmas para cada discurso do Lula como se fosse o evangelho segundo o Apedeuta, você automaticamente vira um fascista.
E a mídia? Ah, a mídia... virou um teatro de horrores, com jornalistas travestidos de inquisidores e comentaristas que mais parecem coachs de revolta. De um lado, a Jovem Pan vendendo delírios patrióticos com gosto de WhatsApp. Do outro, a GloboNews recitando editoriais com tom de salvação nacional, como se os jornalistas tivessem recebido tablets de pedra diretamente do Monte Supremo.
No meio disso tudo, o Brasil? Ah, o Brasil que se exploda. Porque o importante mesmo, em 2025, é odiar. Odiar com convicção. Odiar com hashtag. Odiar com análise política de 15 segundos no TikTok. O país virou refém de um povo que prefere destruir a escutar. Que prefere lacrar a dialogar.
E que, ao final do dia, continua com os mesmos problemas — só que agora sem amigos, sem família e sem nenhuma vergonha de ter trocado o cérebro pelo algoritmo da próxima indignação.