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Porto Seguro acaba de assistir a mais um espetáculo vergonhoso: quatorze  vereadores aprovaram, na última quinta-feira, com a naturalidade dos que já perderam completamente a  vergonha na cara, a famigerada “Taxa de Preservação Ambiental”. Prometeram defender o povo, juraram em campanha que trabalhariam pelo bem da cidade, e agora entregam de bandeja um assalto institucionalizado contra moradores e turistas. A credibilidade deles? A mesma de uma nota de R$ 1,00. Se é que alguém conhece uma nota de R$ 1,00 atualmente em circulação, é claro.

 

Que ninguém se engane: a TAP não tem nada de ambiental. E jamais terá!  É apenas mais um truque fiscal para alimentar a fome da prefeitura e seus aliados. A conversa fiada de “projetos ambientais” não convence nem criança.

 

O que se vê é apenas um prefeito, Jânio Natal, que transformou a arrecadação de mais de 1 bilhão por ano em simples troco, e uma base de vereadores venais que se comporta como caixa eletrônico de luxo, sempre disponível para servir aos interesses nada republicanos do gestor.

 

PARA SEREM ETERNAMENTE LEMBRADOS

 

Mas aqui cabe o alerta: quem vota contra o povo não merece voto do povo. Esses vereadores precisam ser lembrados — e cobrados — nas próximas eleições. Eles não legislam em nome da população, legislam em causa própria. O eleitor mais uma vez enganado terá em 3 anos  a chance de devolver a fatura nas urnas, porque a cidade não pode se dar ao luxo de manter no poder aqueles que escolheram trair a confiança popular e que ainda tem a cara de pau de afirmar em seus discursos que "cabe aos vereadores fiscalizar a aplicação dos recursos da taxa", como se eles fiscalizassem alguma coisa na cidade, que não fosse seus próprios extratos bancários.

 

Querem um bom exemplo de subserviência total aos interesses do prefeito?  Pergunta para algum desses edis  se eles sabem onde tem sido aplicados e de que forma os recursos da indústria das multas e quanto tem atualmente em caixa no Fundo Municipal de Trânsito? Não, não,  não dá para esquecer esses 14  e "ilustres" vereadores, jamais. 

 

É bem verdade que a Justiça Federal será acionada nos próximos dias,  com o objetivo de por fim a mais essa indecência do  Executivo e  do Legislativo, esse verdadeiro assalto ao bolso de nossos visitantes. E será a oportunidade de ouro para sabermos se o Judiciário vai se alinhar ao bom senso ou se vai chancelar mais esse assalto travestido de “taxa ambiental”.

 

A ação popular já anunciada colocará na mesa um ponto decisivo: afinal, é constitucional obrigar turistas a financiar um projeto de mentira? É legal transformar Porto Seguro num pedágio turístico para sustentar os caprichos de uma administração voraz? Já não basta a indústria das multas, o retorno da Zona Azul majorada em 150%, a paralisação das obras e  dos serviços públicos e os empréstimos milionários contraídos nos últimos 5 anos?

 

CORRUPÇÃO AQUI TEM NOME E SOBRENOME

 

Enquanto isso, fica gravado mais um capítulo no manual da política local: a corrupção por aqui tem nome e sobrenome. Chama-se base aliada. A mesma base que troca a vontade do povo por acordos de bastidor. A mesma base que, de tão comprometida que é  com o prefeito, esqueceu completamente de se comprometer com o eleitor.

 

No fim, resta a lição mais óbvia de todas: quem aperta o botão “sim” contra a cidade, não merece ouvir o “sim” das urnas.