
Antes que a patrulha do ódio gratuito comece a gritar pelos cantos, vamos direto ao ponto: sim, essa foto minha com o ex-prefeito de Porto Seguro, Ubaldino Júnior, é real. Tomamos um café há 2 dias atrás, conversamos bastante, e eu não tenho nada a esconder de seu ninguém nesta cidade. Quem quiser achar que foi “acordo político” ou “virada de casaca”, problema de quem acha. O que as pessoas pensam ou deixam pensar sobre mim não faz a menor diferença. Vale o que eu sou, não o que dizem que sou.
AS PESSOAS MUDAM
Isso porque, convenhamos: eu combati Ubaldino com unhas e dentes no tempo do antigo Topa Tudo. Denunciei, bati forte e não me arrependo de absolutamente nada. Entendo que era meu papel à frente do jornal à época e acredito que eu cumpri. Tenho certeza de que fiz o que nunca ninguém fez ou fará dentro de Porto Seguro contra um político. Sou ainda do tempo que a imprensa tinha colhões e vergonha na cara, hoje, basta observar, é tudo no dinheiro. Só não vê quem não quer.
Só que o mundo não parou em 2003. A verdade é que eu mudei, ele mudou, os tempos mudaram. Quem nunca errou que atire a primeira pedra.
SE ELES PODEM
Santo, nem eu, nem ele. Muito menos o resto do cenário político brasileiro. Até porque, se for pra falar de escândalo, basta lembrar: Lula voltou, a Lava Jato foi jogada no lixo, Moro e Dallagnol foram triturados pela engrenagem, e a turma que deveria estar aposentada na Sibéria está de volta à festa, sob a chancela so STF. Nesse baile de máscaras, Ubaldino não é nem o pior convidado.
Há uma diferença básica: Ubaldino nunca foi arrogante. Levou as pancadas, pagou caro por elas, refez a vida, virou advogado, manteve a cabeça erguida e não se vingou de ninguém. Isso, acreditem, é artigo de luxo na política brasileira. Quem conhece o jogo sabe do que estou falando.
Carisma ele sempre teve, inteligência idem. E, pasmem, até reconstruiu pontes com antigos desafetos — coisa rara nesse ramo onde todo mundo só pensa em serrar a tábua do vizinho.
QUE SEJA BEM-VINDO
Então, vou ser bem claro: não sou eu, já quase dobrando o Cabo da Boa Esperança, que vou me dedicar a combater e a tentar manter Ubaldino eternamente fora do tabuleiro. Se vai ser candidato este ano, em 2028 ou em Marte, não sei. Se vou apoiá-lo ou votar nele, também não sei. Mas uma coisa é certa: bem-vindo de volta ao jogo ele será.
E aqui entra o lado pessoal: sei muito bem quem eu apoiei, e sei também quem me apunhalou pelas costas — gente que se dizia amiga, gente em quem eu confiava e que me traíram vergonhosamente.
Do inimigo a gente espera a facada; do amigo – e da amiga - espera no mínimo amizade, carinho, respeito e consideração. Pois é. Nessa matemática ingrata da política, hoje prefiro mil vezes Ubaldino — que ao menos foi adversário leal — a certos “amigos” que só sabem usar e descartar.
O PORQUÊ REALMENTE TODOS EM BREVE SABERÃO
Porto Seguro vai entender, cedo ou tarde, minhas reais razões, embora eu não deva explicações para ninguém que não seja a minha própria consciência. Mas na hora certa vou me levantar e esclarecer. A questão não é nem financeira, até porque se fosse financeira poderia ser facilmente resolvida. Na verdade, é muito mais do que isso. Existem coisas que não tem dinheiro que resolva.
E, no fim das contas, o que eu penso é simples: se Ubaldino, com todos os erros que cometeu, ainda merece uma chance, é porque já mostrou mais grandeza do que muita gente que se diz limpa, mas que vive suja até o pescoço.
No fim, Porto Seguro é quem vai julgar se ele merece voltar ao jogo. Eu, da minha parte, digo: bem-vindo de volta. Se vou apoiá-lo ou não, é outra história. Mas entre Ubaldino — com todos os erros dele — e certos “amigos” que me apunhalaram pelas costas, fico com ele mil vezes.
Quem não gostar, que reclame com o bispo. Ou com o papa.