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Há histórias que envelhecem mal. Outras, simplesmente não sobrevivem ao primeiro contato com a realidade. E há aquelas que, mesmo depois de anos — dezessete, no caso — continuam de pé apenas porque ninguém se deu ao trabalho de puxar o fio certo.

 

O curioso é que, quando alguém puxa, o novelo inteiro vem junto.

 

Durante todo esse tempo, não apareceu uma versão minimamente consistente capaz de desmentir o que já foi dito e redito por mim há muitos anos: a acusação contra Edésio e os policiais militares tem todos os elementos de uma narrativa mal contada. Não é preciso um esforço investigativo sofisticado, nem acesso a segredos de Estado. Basta uma leitura atenta — dessas que qualquer pessoa faz em meia hora — para perceber que há mais buracos na fantasiosa acusação  do que numa peneira.

 

Ainda assim, a exemplo da APLB, houve quem resolvesse o caso em menos de 48 horas. A pressa, como se sabe, é inimiga da verdade, mas amiga íntima de conclusões convenientes.

 

O problema começa quando entram em cena fatos menos maleáveis.

 

SINDICÂNCIA ACOMPANHADA PELA ALTA CÚPULA DO GOVERNO DO ESTADO 

 

A sindicância instaurada pela própria Polícia Militar da Bahia — conduzida por uma comissão vinda de Salvador, gente que não tinha compromisso com versões locais nem com paixões momentâneas — tinha um objetivo claro: investigar e, se fosse o caso, expulsar os policiais acusados. Não era um grupo de defesa. Era, na prática, um pelotão de apuração com ordem para ir até o fim.

 

Foi.

E o que encontrou? Nada. Absolutamente nada que confirmasse as acusações. Nada que desse sustentação ao que havia sido dito. Nada que transformasse suspeita em prova.

Após uma investigação exaustiva, acompanhada de perto pelo alto comando da corporação e pelas autoridades máximas da segurança pública do Estado, a conclusão foi direta, sem rodeios e sem espaço para interpretação criativa: absolutamente nada do que foi afirmado pelos acusadores se comprovou.

 

É aqui que a história começa a desandar de vez.

 

Porque os principais “pilares” da acusação não eram exatamente modelos de sobriedade. Em juízo, um dos depoentes resolveu adotar um tom que beira o surrealismo: disse, com a maior naturalidade, que comandava o tráfico local como se fosse dono de uma multinacional. Mais do que isso — segundo ele próprio — dava ordens à Polícia Militar, decidia quando viaturas podiam ou não circular e, de quebra, ainda exercia influência sobre a Polícia Civil.

 

Faltou apenas dizer que despachava do Palácio do Governo.

 

A cena seria cômica, não fosse trágica. Diante de um juiz e de dois  promotores de justiça, construiu-se uma narrativa digna de roteiro ruim, dessas em que o vilão é tão poderoso que controla tudo — menos a própria credibilidade. Porque, fora dali, na vida real, o personagem em questão mal conseguia exercer autoridade sobre o próprio entorno.

Ainda assim, inacreditavelmente foi essa história que ajudou a sustentar uma acusação gravíssima.

 

E é exatamente por isso que a sindicância merece ser lida.

 

Não porque ela traga revelações mirabolantes ou teorias conspiratórias. Mas porque faz algo raro: coloca os fatos no lugar das versões. Mostra, com a frieza de quem analisou documentos, depoimentos e circunstâncias, que a realidade não acompanha a fantasia construída ao longo dos anos.

 

Quem tiver curiosidade — ou simplesmente apreço pela verdade — pode conferir tudo por conta própria. O material está disponível, aberto, esperando apenas um leitor disposto a sair do automático.

 

Porque, no fim das contas, há duas maneiras de lidar com histórias como essa: repetir o que sempre foi dito ou verificar o que, de fato, aconteceu.

 

A diferença entre uma coisa e outra, como se vê, pode ser enorme. Acesse o resultado da sindicância que desmentiu os traficantes e inocentou os PMs logo abaixo