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Qualquer pessoa com mais de dois neurônios funcionando — e que não esteja pendurada no cabide de empregos da prefeitura — já percebeu que Porto Seguro parou no dia 5 de outubro de 2024, data da última eleição municipal. Desde então, a cidade entrou em modo “pausa permanente”, enquanto a fortuna do município derrete nos cofres dos bancos.

A matemática é simples: em 2021, a prefeitura foi entregue com mais de R$ 28 milhões em caixa e praticamente sem dívidas. Hoje, a conta chega a algo entre R$ 400 e R$ 500 milhões de endividamento. Um salto espetacular, digno de Guinness Book.

E não adianta dizer que foi falta de aviso. Como gosta de repetir o prefeito Jânio Natal: “dinheiro não é problema”. Claro que não — desde que seja o dinheiro dos outros, de preferência o do contribuinte. O dele, pelo visto, está muito bem seguro, investido em residenciais de luxo na Praia de Guarajuba, onde nove mansões milionárias, avaliadas ao preço final de venda em quase R$ 100 milhões, estão sendo finalizadas, além, dizem, de diversas áreas e empreedimentos imobiliários próximos ao anel viário, em Arraial e Trancoso.  

O COLAPSO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Enquanto isso, Porto Seguro vê o colapso dos serviços públicos. Tudo começou no dia seguinte à eleição, quando a obra da ponte foi paralisada — um símbolo perfeito do que viria. A doença se espalhou como metástase: pequenas obras abandonadas, ruas em escombros e remendos de asfalto malfeitos que levam meses para aparecer. Educação e saúde sobrevivem apenas porque têm recursos federais carimbados. O resto simplesmente deixou de existir.

Ou melhor, minto: o serviço de coleta de lixo ainda funciona — mal, caríssimo e sob suspeita. Custando quase dez vezes mais que na última gestão, é o único setor que ainda respira, graças à obstinação do secretário Luciano Alves. A situação chegou a tal ponto que na verdade não se pode nem culpar os secretários, por mais que a maioria seja incompetente, diante da paralisação da maioria dos contratos, onde os prestadores de serviços são obrigados a cruzar os braços por falta de pagamento. De resto, sobra apenas a folha dos fantasmas, religiosamente paga a cada 30 dias, como num calendário litúrgico.

PREFEITO ITINERANTE

Enquanto a cidade se transforma num catálogo de buracos, abandonada em bairros e distritos, o prefeito só dá as caras a cada quinze dias. O expediente mesmo é em Salvador, entre uma rodada de uísque e outra no Barbacoa, reduto onde políticos discutem, com naturalidade de happy hour, a ciência de desaparecer com dinheiro público sem deixar digitais.

PRESTAÇÕES RETIDAS DIRETAMENTE NO FPM

E quando alguém pergunta pela falta de recursos, a resposta está aí: acabou a carência dos empréstimos feitos em 2023 e 2024. As parcelas já são descontadas direto do Fundo de Participação dos Municípios — garantia exigida pelos bancos para não levarem calote. Resultado: mesmo arrecadando R$ 100 milhões por mês, Porto Seguro está de pés e mãos amarrados. Mas há sempre espaço para gastar R$ 10 milhões mensais com “assessoria” fantasma. E isso ajuda a explicar, em parte, os 20 mil votos de frente na última eleição. Para os sem noção, prova da “inteligência política” do gestor.

No fundo, nada mais é que o óbvio: o cheque especial estourou, o cartão está bloqueado, e a fatura chegou. Agora é o eleitorado — burro, venal e manipulado — que paga a conta. E paga caro.

* Procurada para se manifestar sobre os valores das parcelas que estão  sendo retidas  diretamente dos repasses do FPM, a Prefeitura de Porto Seguro preferiu não se pronunciar,