Por um Brasil onde a conta sempre chega para o povo – e nunca para quem gasta.
A Prefeitura Municipal de Porto Seguro acaba de assinar mais um bilhete premiado – para a Caixa Econômica Federal, evidentemente. Publicado no Diário Oficial desta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, o novo contrato de financiamento soma mais R$ 100 milhões de empréstimo ao já explosivo rombo da dívida pública municipal. Sim, você leu certo: mais cem milhões de reais, que serão pagos em suaves prestações pelos próximos dez anos, com juros indecentes de 109,54% do CDI ao ano. É o tipo de negócio que qualquer agiota recusaria por ética.
Mas, em Porto Seguro, sob a administração do atual gestor e a omissão de muitos, o absurdo virou política pública.
A desculpa da vez? Saneamento e infraestrutura, aquele bordão genérico e inatacável que já serviu para justificar desde obra superfaturada até buraco que nunca foi tapado. Só que o detalhe sórdido – sempre há um – está no timing. O contrato prevê carência de 12 meses para começar a pagar. Coincidência? Jamais. Trata-se, evidentemente, de uma obra-prima da engenharia eleitoreira para a campanha de 2026. Enquanto o povo acredita estar vivendo uma gestão responsável e “austera”, a prefeitura empilha empréstimos como quem empilha cadáveres de políticas públicas fracassadas.
A ROLETA DA MAQUIAGEM FISCAL
Este novo rombo de R$ 100 milhões se junta aos já estimados R$ 400 ou R$ 500 milhões em empréstimos contraídos nos últimos DOIS anos – especialmente durante o período eleitoral, quando o que menos importa é a verdade. O prefeito, que amarga denúncias e rumores cada vez mais sólidos de cassação no STF, parece jogar suas últimas fichas na roleta da maquiagem fiscal. Finge austeridade. Entrega falência.
Enquanto isso, os serviços públicos do município estão em coma profundo. Saúde, educação, transporte? Todos praticamente paralisados. Mas o exército de mais de 1.000 assessores fantasmas segue firme e forte, pendurado na folha de pagamento como carrapato em cachorro doente. Juntos, eles sugam mais de R$ 10 milhões por mês. Um luxo para poucos, pago pelo sacrifício de muitos.
A FISCALIZAÇÃO QUE NÃO EXISTE
Afinal, quem fiscaliza tudo isso? Ninguém. A Câmara de Vereadores assiste a essa farra dos empréstimos com a resignação bovina de quem prefere o conforto da omissão à chatice da responsabilidade. Já o Ministério Público parece mais interessado em redigir uma vez ou outra notas genéricas de repúdio do que cumprir seu papel constitucional de guardião da moralidade pública. A verdade é dura, mas necessária: Porto Seguro está sendo vendida, lote a lote, pelo próprio poder público.
E os compradores não são investidores. São cobradores de dívida. A cada nova assinatura, o futuro do município se encurta, se empobrece e se acorrenta. Não há plano de governo. O que existe é um projeto de poder, financiado a prestações, com o aval dos silenciosos e a conivência dos cúmplices.
O resultado? Um município falido, com uma dívida impagável, serviços públicos destruídos e um povo enganado por uma ilusão de prosperidade. Porto Seguro, ironicamente, caminha para um futuro absolutamente inseguro – e o preço será pago pelas próximas gerações, que herdarão não uma cidade, mas um passivo.
Boa sorte, Porto Seguro. Você vai precisar.
