ALUIZ

 

Há gestores ruins, há os medíocres — e há Jânio Natal, o prefeito de Porto Seguro, que parece ter se empenhado pessoalmente em provar que é possível afundar uma cidade rica e promissora em meio a uma maré de incompetência, vaidade e populismo digital.

 

Porto Seguro virou o laboratório do que não se deve fazer em administração pública. Jânio transformou a prefeitura em palco de autopromoção: vídeos ensaiados, frases de efeito e ataques a adversários. Enquanto posa de moralizador, sua gestão colocou o município como o pior em saúde da Bahia, segundo relatório oficial do Programa Previne Brasil, do  Ministério da Saúde.

 

IRONIA CRUEL 

 

A ironia é cruel: o prefeito que tanto critica o hospital estadual - não que ele não mereça ser duramente criticado -  foi quem  destruiu a rede pública municipal, ao escolher  secretários  por conveniência política, não por capacidade. De uma médica deslumbrada e sem a mínima capacidade de gestão, passando por Miguel Ballejo e Paulinho Toa Toa,    todos  símbolo do improviso,  do amadorismo e da falta de preocupação do prefeito  com a vida das pessoas. 

 

O resultado é visível: filas, falta de médicos, remédios ausentes e uma população desassistida. E, diante do caos, o prefeito culpa o Governo do Estado. É o manual do populista: quanto pior a gestão, mais alto o discurso.

 

 A DERROCADA FINANCEIRA 

 

A derrocada financeira completa o quadro do caos. Jânio recebeu a prefeitura com R$ 30 milhões em caixa e hoje a cidade está  endividada em mais de meio bilhão de reais, ostentando a nota “C” na CAPAG -índice da  Capacidade de Pagamento de um município - e sem pagar nem o INSS dos servidores, a espera da aprovação de uma Medida Provisória que lhe possibilite parcelar o rombo em 240 vezes,

 

deixando o próximo gestor de pés e mãos atadas, como acontece atualmente em Eunápolis, depois do furacão Cordélia e que dizimou a saúde e as finanças públicas . A verdade é que Porto Seguro está tecnicamente quebrada — e levará décadas para se reerguer.

 Mesmo assim, o prefeito vive em um mundo paralelo. Faz lives, tira selfies, inventa inimigos e tenta convencer os distraídos de que a culpa nunca é dele. Enquanto isso, após o prefeito não aceitar participar do consórcio da Policlínica Regional de Eunápolis, que ao menos  aliviria em boa parte a  demanda local, o  Hospital Luiz Eduardo Magalhães,  sobrevive à sobrecarga provocada pela ruína da saúde municipal.

 

O TEATRO DO ABSURDO 

 

No fim, Jânio Natal é o retrato do gestor que confunde governo com marketing pessoal. Fala e mente muito, faz pouco e, quando cobrado, culpa os outros. Porto Seguro não precisa de espetáculo — precisa de governo.

É por isso que eu digo que, não, o prefeito Jânio Natal não pode ser levado a sério. Porque governar exige seriedade, responsabilidade e compromisso — três virtudes que, até agora, ele não demonstrou possuir.

E porque, no fim, a verdade é mais teimosa que qualquer discurso. Porto Seguro merece mais que espetáculo: merece governo.