
Há uma cena curiosa acontecendo no Brasil. Enquanto milhões de brasileiros assistem à série sobre El Salvador, que está passando no canal da Brasil Paralelo, e descobrem que um país dominado por facções criminosas há décadas conseguiu sair do inferno pra se transformar numa fortaleza segura e próspera, a nossa elite política reage como um vampiro diante de água benta: com desespero, cinismo e medo.
Medo porque a comparação é inevitável.
El Salvador era tratado até pouco tempo atrás como um lixão moral da América Central. Um país sequestrado por gangues, assassinatos, corrupção política e uma Suprema Corte totalmente cúmplice com o crime organizado. Soa familiar?
DEMISSÃO SUMÁRIA DA SUPREMA CORTE
A diferença é que lá apareceu alguém disposto a quebrar paradigmas e a enfrentar o sistema inteiro. Não apenas os criminosos de rua, mas, principalmente, os criminosos de paletó, gravata e toga que davam sustentação institucional ao caos. Ou, em outras palavras, resolveu enfrentar – e demitir sumariamente – autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanim e outros malabaristas do Judiciário brasileiro.
E aqui está o ponto que incomoda tanto os profissionais da indignação seletiva no Brasil: Bukele, o exemplar presidente salvadorenho, entendeu uma coisa simples que Brasília se recusa a admitir — crime organizado não sobrevive sem proteção política, financeira e institucional.
No Brasil, porém, criou-se um modelo revolucionário de combate ao crime: protege-se o criminoso e investiga-se quem denuncia.
O desmantelamento da Lava Jato, a descondenação de Lula e dos demais criminosos, inclusive com a devolução de quantias milionárias bloqueadas, que o diga.
O resultado está aí. Aliás, não poderia ser diferente, né?
INSS E BANCO MASTER
Enquanto isso, um escândalo bilionário explode no INSS. Velhinhos roubados. Aposentados saqueados. Quadrilhas e até mesmo Lulinha, o filho do presidente, operando dentro da máquina pública. E qual a reação das instituições que adoram discursar sobre a “defesa da democracia”, como o fazem midiaticamente os ministros do STF e a base governista?
Silêncio. Ou melhor, contrata-se o site de aluguel Intercept para divulgar áudios a conta gotas a fim de desviar o foco principal dos escândalos.
Um silêncio elegante. Um silêncio constitucional. Um silêncio profundamente republicano. E, claro, conveniente.
No caso do Banco Master, a mesma liturgia. O cidadão comum olha aquilo e pensa: “Mas espera aí… ninguém vai preso? Ninguém é afastado? Ninguém é responsabilizado? Só o Vorcaro? ” Não. Porque no Brasil moderno o colarinho branco virou colete à prova de cadeia.
O STF faz discursos épicos contra fake news, mas parece sofrer uma indisposição física toda vez que o assunto é corrupção sistêmica ligada ao poder político e aos seu próprios pares. .
Por sua vez, a PGR desenvolveu uma modalidade inédita de atuação: a invisibilidade funcional.
O Senado virou uma espécie de spa parlamentar. Seus membros entram cansados, aparecem ocasionalmente em alguma CPI performática e desaparecem antes que qualquer investigação produza consequência real.
Já a Câmara dos Deputados atingiu o nirvana fisiológico. Não governa, não fiscaliza, não legisla. Apenas negocia.
E o povo? O povo assiste a tudo anestesiado, dividido entre seitas políticas que funcionam exatamente como torcidas organizadas de futebol.