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Confesso: para entender o cenário político de Porto Seguro não é preciso nenhum dom especial, bola de cristal nem mestrado em ciência política. Basta enxergar o óbvio — aquilo que muitos fingem não ver. A dupla Jânio Natal e Ubaldino já firmou sua aliança, com a discrição de um trio elétrico em fevereiro,  para 2028. Talvez até antes, ou seja, já para 2026, se o calendário e a conveniência assim   permitirem.

 

E se ainda existia um grão microscópico de dúvida, ele evaporou totalmente na manhã desta quinta-feira, 11, quando o ex-prefeito Ubaldino recebeu o título de cidadão porto-segurense das mãos do atual prefeito. Sim, do atual  prefeito. Algo absolutamente inédito na história local. E não por acaso.

 

 

CENA PARA FICAR REGISTRADA NA HISTÓRIA

 

 

A cena, digna de fotografia oficial para a posteridade, traduz mais que um gesto simbólico: é o registro de um acordo político declarado, selado em público, sem pudor e sem disfarces, que começou ainda em 2024. Em linguagem simples: a máscara caiu.

 

Não vou aqui discutir o mérito da comenda ofertada pelo vereador Roló e referendada por todos os seus pares. Depois de mais de 20 anos de inegibilidade, punições, afastamentos e castigos, o ex-prefeito tem o direito, sim, de pedir ao povo uma nova chance. Afinal, no Brasil, punição eterna só existe para quem paga imposto em dia. Político sempre dá um jeito. Lula voltou. Renan nunca saiu. Geddel reapareceu. Collor reapareceu e sumiu de novo. É o ciclo natural da fauna política nacional.

 

REESCREVENDO A HISTÓRIA

 

O problema — e aqui reside a indignação legítima — é Ubaldino, mestre reconhecido do carisma e da oratória, tentar reescrever a história, sob a alegação de que sua missão na política é "cuidar de gente", como se vivêssemos todos em permanente estado de amnésia coletiva.

 

Outra: vir a público, depois de ter sido recentemente aliado de Cláudia Oliveira, insinuar que o atual prefeito é vítima de perseguição política porque a ex-gestora ousou pedir que a Justiça Eleitoral faça… o básico?

 

Pelo amor de Deus, me poupem! Ora, convenhamos, chamar de “perseguição” o pedido para que a Justiça decida se é honesto  e legítimo um candidato disputar três eleições seguidas para o mesmo cargo, violando a legislação eleitoral, trapaceando seus eleitores,  para no fim renunciar e colocar o irmão sem voto em seu lugar, é simplesmente insultar a inteligência alheia. É fingir que Porto Seguro é uma terra de ingênuos — e que ninguém percebe o truque.

 

A AUSÊNCIA DE PAULINHO

 

Outro detalhe saboroso: a ausência do vice-prefeito Paulinho Toa Toa. O homem, aparentemente, virou peça de reposição esquecida no almoxarifado da prefeitura, após o prefeito atribui-lhe superpoderes para cuidar das obras da ponte. Ninguém mexe, ninguém usa, ninguém avisa. E o motivo é muito simples: Jânio percebeu que emplacar Paulinho como sucessor seria mais difícil que colocar um elefante dentro de uma Kombi.

 

"E Ubaldino, com toda a sua inteligência e  retórica afiada, surge como o substituto perfeito — o futuro prefeito  ideal, o “herdeiro político” fabricado em laboratório. 

Só não vê quem não quer." 

Os iguais se atraem. Sempre foi assim. Anotei isso lá atrás,  no sentido de que para que Jânio e Ubaldino se entendessem bastava uma simples calculadora: ou seja, soma e multiplicação. Divisão e subtração eles nunca aprenderam — nem querem aprender. Pelo visto, as contas fecharam.

 

E, se alguém quiser apostar, deixo aqui meu palpite escrito e registrado:
Ubaldino será o candidato de JN.
Quem se habilita a apostar o contrário?