
Em Porto Seguro, o prefeito Jânio Natal resolveu incorporar de vez o papel de vítima permanente — papel que, por sinal, ele desempenha com tanto entusiasmo quanto pouca credibilidade. Desde que resolveu acreditar em algum advogado que possivelmente se acha mais esperto que o diabo e começou a enfrentar o risco real de cassação por exercer um terceiro mandato consecutivo, o que é vedado de forma clara pela Constituição Federal, o prefeito tem optado por uma estratégia nada original: atacar e tentar desacreditar quem ousa contar o que está realmente acontecendo, como se isso lhe garantisse a permanência no cargo eternamente.
Na lógica peculiar de Jânio, a verdade se transforma em “fake news” sempre que não lhe convém. Assim, quando o site do Jornal A Tarde, um dos veículos mais respeitados e lidos da Bahia, publica uma reportagem apontando a derrota do prefeito no TSE e a possibilidade de cassação pelo STF — com base em fatos, julgamentos e decisões judiciais — ele responde com um balbuciante “não é verdade”, como se bastasse dizer isso para apagar a realidade.
DEVE TER ESQUECIDO
Jânio Natal parece ter se esquecido de que não é dono da Justiça, nem muito menos do jornalismo sério. Desde as últimas eleições de 2024, quando se reelegeu com larga margem graças a promessas mirabolantes e não cumpridas, a um caixa robusto, à contratação de assessores fantasmas e ao uso generoso da máquina pública, o prefeito vive em campanha — e foge da prestação de contas como o diabo foge da cruz.
A ponte para Arraial d’Ajuda, aquela velha promessa de todas as campanhas, continua existindo apenas nos panfletos eleitorais. E os empréstimos milionários contraídos às vésperas do pleito, feitos com a alegria de quem acredita que nunca será cobrado, agora começaram a bater à porta. O prazo de carência venceu, e o FPM está sendo retido direto na fonte.
APAGÃO ADMINISTRATIVO
Enquanto isso, a cidade vive um verdadeiro apagão administrativo. Obras paradas, fornecedores inseguros e sem receber, um buraco fiscal em crescimento e uma prefeitura que virou uma trincheira política, mais preocupada em desmentir a imprensa do que em resolver os problemas reais da população. Há quem diga que o próprio Ibaneis Rocha, governador do DF e figura forte no BRB, conforme informado pelo Jornal A Tarde, mandou travar qualquer novo repasse diante do cenário jurídico instável — e com razão.
E não se pode ignorar o detalhe ainda mais constrangedor: o partido do prefeito, o PL, está hoje mais desacreditado e sujo que pau de galinheiro em Brasília. Enrolado em escândalos nacionais, atolado em CPIs, e com lideranças que tratam a política como um balcão de negócios, o PL tornou-se um símbolo do fisiologismo e de tudo aquilo que o eleitor diz não aguentar mais — mas que, curiosamente, ainda aparece nas urnas com o mesmo sorriso de sempre.
NÃO É FAKE NEWS, PREFEITO
Não, prefeito. Não é fake news quando um Tribunal Superior rejeita seus embargos por unanimidade. Não é fake news quando a própria Constituição é clara sobre a proibição de três mandatos consecutivos, tenha assumido o cargo ou não. E definitivamente não é fake news quando a cidade afunda em elevadas dívidas e promessas não cumpridas. O que é fake — e mal ensaiado — é esse teatro onde o senhor se apresenta como injustiçado, perseguido e incompreendido.
A verdade dói. Mas não é por isso que ela deixa de ser verdade.