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Dizia meu pai, em seus momentos de lucidez quase ofensiva: o problema do mundo não é a falta de informação — é a abundância de gente que não sabe o que fazer com ela. É para esse público fiel que vai este esclarecimento, já que uma parcela barulhenta resolveu me atacar depois de ouvir o galo cantar… sem jamais se preocupar em descobrir onde fica o galinheiro.

 

Vamos começar pelo básico do básico,  e que costuma ser a parte mais difícil: a verdade é que não há absolutamente nada de “novo” no que publiquei e estou publicando em meu Blog e nas redes sociais sobre o caso dos professores. Zero. Nulo. O material existe há mais de 17 anos, intacto, sem maquiagem, sem retoque, sem revisão conveniente. O que fiz foi apenas reunir, organizar e expor — algo que, aparentemente, causa mais desconforto do que qualquer mentira bem contada. Afinal, a verdade, quando aparece inteira, costuma atrapalhar narrativas cuidadosamente cultivadas.

 

AS  ÚNICAS  NOVIDADES

 

As únicas “novidades”, para quem faz questão de não acompanhar os fatos, são relatos adicionais — entre eles, as declarações  do juiz André Strogenski e do ex-delegado Renato Fernandes, que apontam uma linha completamente ignorada pela acusação: a possibilidade de latrocínio com reação das vítimas, tese que é reforçada pelo depoimento da própria mãe do professor Álvaro. Uma hipótese sustentada, inclusive, por quem investigou o caso e por testemunhos diretos. Mas, claro, para chegar a essa  conclusão,  tal esforço  exige leitura atenta do conteúdo e  reflexão — e leitura e reflexão não costumam ser populares.

 

ACESSO INTEGRAL À APLB

 

Há mais de um ano, em busca de justiça verdadeira aos acusados e à memória dos professores Álvaro e Elisney e seus familiares, procurei quem deveria, em tese, estar interessada na verdade. Apresentei o material do novo Blog, abri o jogo, expus meus motivos e entreguei tudo. Resultado? Silêncio. Ou pior: indiferença.

 

A APLB, com toda a deferência que a classe merece (e ela realmente  merece), optou por permanecer simplesmente  imóvel — não diante da falta de informação, mas diante do excesso dela. O que levanta uma pergunta incômoda: quando a verdade deixa de ser prioridade, o que passa a ocupar o seu lugar?

 

Também é curioso — para não dizer revelador — o esforço de alguns em transformar minha posição em algo que ela nunca foi. Afinal, não sou advogado dos acusados. Nunca fui. Não os conhecia. Não tenho relação pessoal com nenhum deles. Não fui contratado. Não recebi um real. Não negociei. Nada. O que fiz — vejam só que absurdo — foi trabalhar com fatos e trazê-los a público. 

 

O PORQUÊ DO CARRO 0 KM 

 

O desafio de oferecer um carro 0 km a quem conseguir me desmentir ou ao menos apontar no processo uma única linha razoavelmente séria e que possa incriminar os acusados, longe de querer parecer arrogância ou provocação,  como entendido por alguns incautos, foi justamente diante da certeza absoluta de que não existe a mínima possibilidade de que alguém consiga vir a reclamar tal premiação, posto que sei muito bem o que estou fazendo e propondo. Até mesmo por que eu  atualmente não tenho sequer um carro para o meu uso pessoal, que dirá um veículo O km para oferecer ao público leitor. Mesmo assim o desafio insiste e persiste.

Cadê, afinal, os juízes e os metidos a sabidões das redes sociais que dizem saber tudo sobre as mortes dos professores? Será que não vai aparecer um sequer capaz de me contrarrazoar de maneira minimamente razoável? 

 

O PREÇO DA MINHA VERSÃO

 

E, para aqueles que vivem de teorias convenientes, que tentam desqualificar meu trabalho como se ele tivesse sido encomendado ou pago por alguém, um detalhe inconveniente: ainda em 2010, em meio a uma guerra de vida e morte com o MP baiano, procurei o entãp promotor Dioneles e submeti-me voluntariamente à quebra de sigilos bancário, fiscal e eletrônico. Uma atitude estranhamente incompatível com quem, segundo a imaginação criativa de alguns, teria algo a esconder. Mas, claro, fatos verificáveis raramente competem com versões apaixonadas.

 

No fim das contas, a questão é mais simples do que parece — e talvez por isso seja tão difícil de aceitar: minha posição não é em defesa de pessoas. É em defesa dos fatos. E fatos não têm lado, não usam professores como massa de manobra e não fazem campanha sindical, ou seja, não disputam narrativas. Eles apenas existem — o que, em certos ambientes, já é uma afronta suficiente.

 

DE CABEÇA ERGUIDA ATÉ O FIM

 

 

E digo mais: participarei, sim, do júri. E, se chamado, relatarei a farsa sustentada  pelo MP e pela APLB há 17 anos, tudo em detalhes, dando inclusive nome aos bois, ocasião em que quero ser interrogado e confrontado à exaustão pelos metidos a inquisidores. Não tenho medo de caras feias e muito menos  de vaias orquestradas.

 

Atuarei não como advogado de defesa, mas como alguém que se recusa a aceitar que a busca por justiça seja sequestrada pela conveniência política e sindical. E digo mais: se alguma mentira, por menor que seja,  for de fato detectada em minhas revelações, serei o primeiro a pedir ao juiz que decrete minha prisão na mesma hora.

 

Porque, no fim — e aqui volto ao ensinamento que realmente importa — entre prender pessoas  inocentes para satisfazer a plateia, como lamentavelmente ainda insiste a APLB, apesar de todos os fatos a que tem e teve  conhecimento,  e correr o risco de ver um culpado solto, a escolha de um Estado minimamente civilizado sempre deveria ser a segunda.

 

Mas talvez esse seja exatamente o problema do caso dos professores.