A política brasileira consegue a façanha de nos decepcionar mesmo quando prometemos a nós mesmos que não criaremos expectativas. Ainda assim, eu criei. Acreditei na juventude, no discurso da renovação, da independência, da coragem de enfrentar o sistema. Votei. Declarei apoio. Confiei.

A FAVOR DO CRIME ORGANIZADO

E o que vejo agora? Um deputado encerrando de maneira absolutamente vergonhosa  o seu primeiro mandato,  votando contra as convocações na CPMI  do Crime Organizado — contra ouvir, contra investigar, contra esclarecer.

 

Votando a favor de Lulinha, do sigilo dos  129 milhões do contrato da mulher do Alexandre de Moraes e de toda a indecência protagonizada por Dias Tofolli, por seus familiares  e por alguns  ministros do Supremo Tribunal Federal.

 

As imagens não mentem. Se o deputado que defende criminosos não sabe,  convocar não é condenar. É apurar. Quem não deve, não teme.

VERGONHA PARA A BAHIA

 

O voto pode até ser regimentalmente legítimo. Politicamente, porém, é indefensável para quem se apresentou como fiscal do poder. O eleitor do Extremo Sul não elegeu um espectador silencioso do jogo pesado de Brasília. E muito menos alguém disposto a proteger o desconforto alheio em vez de buscar transparência.

 

Confesso: errei. Fui iludido pela retórica da independência e pela promessa de compromisso ético. A prática mostrou outra coisa. E na política, o que vale não é o discurso — é o voto.

 

Que sirva de lição. Para mim, que acreditei. E para quem ainda acha que juventude, dinheiro ou sobrenome garantem caráter público e moral. Não garantem. Neto Carletto que o diga. 

 

Mas, graças a  Deus,  a democracia permite corrigir erros. Inclusive o meu.