Porto Seguro, 2025. Saúde pública em ruínas, população abandonada e um prefeito que, ao invés de governar, se ocupa em produzir um teatro farsesco nas redes sociais, posando de defensor da moralidade administrativa enquanto o caos se espalha pelos corredores do Hospital Luís Eduardo Magalhães (HLEM) e pelos postos de saúde do município. Dizer que a saúde em Porto Seguro está um desastre seria um elogio. O que há é um colapso institucional, gerado pela omissão, incompetência e — por que não dizer? — cinismo político.
Mas é claro que o prefeito não tem culpa exclusiva de todas as mazelas do HLEM, mas que tem responsabilidade por grande parte delas, isso ele tem. E muita ! Basta raciocinar um pouco para se chegar à conclusão que, somadas às deficiências da empresa que ficou responsavel por gerir o HLEM, o caos na saúde pública municipal fez os números do hospital estadual inflarem assustadoramente. .
Isso por que, entre 2021 e 2024, Porto Seguro amargou, de forma vergonhosa, a última colocação entre os 417 municípios da Bahia no ranking do programa Previne Brasil. Repetindo: a pior saúde pública municipal da Bahia. Em 2024, “subiu” milagrosamente cinco posições e agora figura no 412º lugar — como se isso fosse motivo de celebração. Continua sendo a pior da Costa do Descobrimento, perdendo para cidades que cabem dentro de um bairro da sede municipal, como Itagimirim e Guaratinga. Uma derrota moral e administrativa que desmascara o marketing desavergonhado da atual gestão.
Veja o que diz o relatório do Previne Brasil do último semestre de 2024, clicando AQUI
SERÁ QUE ELE ESPERAVA ALGUM MILAGRE?
"Não temos culpa, isso é herança da gestão passada", diz o prefeito. Ora, tenha paciência. Quem tem culpa então? A ex-prefeita? O Papa? O ET de Varginha? Quando a Prefeitura abandona a atenção básica, se recusa a integrar consórcios regionais, e joga todo o peso dos atendimentos nas costas do HLEM, o que se espera? Milagre?
Claro que o hospital colapsou. Sem estrutura, sem leitos, sem insumos, e com uma gestão municipal que, em vez de assumir responsabilidades, prefere apontar o dedo para o Estado. Puro oportunismo. Aliás, típico de quem berra grosso nas redes e mia fino ao lado do governador Jerônimo Rodrigues. Teatrinho barato.
REPASSE IRRISÓRIO
E o repasse de R$ 12 milhões? Balela! Jânio tenta vender a ideia de que está fazendo um favor ao povo. A verdade? A Prefeitura arrecada mais de R$ 100 milhões por mês. Fatura R$ 1 bilhão por ano. Além disso, pegou mais de R$ 500 milhões em empréstimos, endividando o município por décadas.
O repasse ao hospital estadual é irrisório, insignificante diante do tamanho da tragédia que ajudou a criar. Isso não é política pública. Isso é pão e circo. Só falta colocar um nariz vermelho.
INDECÊNCIA COM AS FINANÇAS PÚBLICAS
Mas o caso ganha contornos ainda mais indecentes com a contratação, sem licitação, da empresa Publica Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., que em 2024 levou R$ 3 milhões dos cofres públicos, valor já ampliado através de aditivos para R$ 3,2 milhões em 2025 até agora. Para quê? Para "gestão à distância", tipo home office da incompetência.
Uma empresa de Brasília, sem qualquer vínculo com a realidade local, foi contratada para fazer o que a equipe técnica da Prefeitura — Dra. Raissa, Miguel Ballejo, Paulinho Toa Toa e o folclórico "Vaca" — jamais conseguiu: fingir que está tudo bem.

A CIDADE ENTREGUE À SORTE
Porto Seguro está entregue à sorte. O prefeito governa por narrativas, não por ações. Os números são manipulados, a verdade é maquiada, e a população paga o preço com filas, sofrimento, diagnósticos atrasados e mortes evitáveis. Isso não é só má gestão. É desprezo pela vida humana.
O cidadão que ainda acredita nesse conto de fadas tropical chamado Jânio Natal precisa, urgentemente, acordar. Porque enquanto o prefeito gasta milhões com publicidade, assessorias e politicagem, quem sente na pele a falência do sistema é o povo. O mesmo povo que ele jura defender, mas que ignora sem o menor constrangimento.
Porto Seguro sangra. E o prefeito ainda sorri.