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 Em Porto Seguro, o passado nunca morre: apenas aguarda a próxima eleição.

 

O Brasil é especialista em ressuscitar políticos que, em qualquer país sério, estariam aposentados compulsoriamente da vida pública.

 

Ubaldino Júnior é exemplo emblemático e bastante próximo a nós. Condenado por irregularidades na gestão, afastado por mais de duas décadas, foi personagem central de escândalos que custaram caro aos cofres públicos. A cifra estimada e atualizada  ultrapassa tranquilamente meio bilhão de reais — dinheiro que, é claro,  nunca voltou.

 

Mesmo assim, ele ensaia um retorno triunfal à vida pública. Não como coadjuvante, não como lembrança distante, mas como possível e grande favorito à prefeitura de Porto Seguro, inclusive com o apoio direto do prefeito Jânio Natal e do seu grupo, já que Paulinho, sabe-se muito bem, apesar de toda a sua subserviência ao gestor, não  vai para canto nenhum. Paulinho não sabe e não consegue ser político, só isso, essa mágica Jânio, por mais bom de voto que seja, ainda  não conseguiu fazer. 

 

 Já Ubaldino, com todo a sua inegável inteligência e  habilidade, associado ao seu preparo político,  é  o tipo de volta que não surpreende mais no Brasil, onde condenações perdem peso e o carisma fala mais alto que a memória.

 

EXEMPLOS NÃO FALTAM

 

Ubaldino não é um caso isolado. O país já viu Lula voltar ao Planalto após prisão, José Dirceu virar referência política mesmo condenado, Gedel solto após ser flagrado com 51 milhões em dinheiro vivo, e Renan Calheiros atravessar décadas no Congresso apesar das investigações. A política nacional transformou escândalos em currículo.

 

O eleitor, por sua vez, colabora. A indignação é curta. As denúncias, esquecidas. Os erros, relativizados. Em poucos anos, o que deveria ser motivo de repulsa vira detalhe. E assim os personagens voltam, sorridentes, como se nada tivesse acontecido.

 

O PASSADO RECICLADO

 

Se Ubaldino de fato retornar ao cargo em 2029, como eu acho que voltará,  não será apenas um capítulo local. Será mais uma página do manual brasileiro da impunidade, em que o passado é reciclado e oferecido ao eleitor como promessa de futuro.

 

Em terra de cego, quem tem olho é rei. E em terra de memória curta, até os condenados voltam como salvadores. Preparem-se: Ubaldino vem aí!